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Filhos de Bolsonaro criticam Michelle e expõem racha dentro da família a menos de duas semanas do início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) reagiram à fala da ex-primeira-dama no Ceará, onde ela condenou a aliança do deputado André Fernandes (PL-CE) com o ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB).
A divergência deixou público um conflito que já vinha se formando nos bastidores: quem comandará o espólio político de Jair Bolsonaro enquanto ele permanece detido. Michelle, que preside o PL Mulher em caráter honorífico, contestou a articulação de Fernandes, mas os três filhos afirmam que a iniciativa tinha aval direto do pai.
Filhos de Bolsonaro criticam Michelle e expõem racha
No domingo, 1º de dezembro, Michelle participou em Fortaleza do lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo estadual. No palco, declarou que “não dá” para fechar acordo “com quem chama Bolsonaro de ladrão de galinha”, referência a Ciro Gomes. Na manhã de segunda-feira, 2 de dezembro, Flávio classificou a atitude da madrasta como “autoritária e constrangedora”. Carlos e Eduardo endossaram a crítica em postagens nas redes sociais, lembrando que a composição com Ciro fora “definida pelo meu pai”.
Mal-estar no Ceará expõe disputa interna
Aliados relatam que Michelle aceitou comparecer ao evento de Girão após um pedido direto de Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama, porém, sustenta oposição antiga a Ciro Gomes. Pesquisa interna do PL indica que Ciro lidera a corrida ao Palácio da Abolição, enquanto Girão não rompeu a barreira de 1 % em Fortaleza nas eleições municipais de 2024. Mesmo assim, a sigla considerou estratégico apoiar o ex-ministro para ampliar influência regional.
Entre parlamentares do Centrão, a avaliação é de que Michelle cometeu “erro gravíssimo” ao desafiar uma articulação já consolidada. O episódio reforça o diagnóstico de que, sem Jair Bolsonaro atuando diretamente, as divergências familiares tendem a vir à tona com maior frequência.
Reunião de emergência em Brasília
Diante da repercussão, o PL marcou reunião extraordinária para terça-feira, 3 de dezembro, em Brasília. Devem participar Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, o presidente nacional da legenda Valdemar Costa Neto e parlamentares próximos. Dirigentes pretendem lembrar que a ex-primeira-dama não integra a Executiva Nacional e, portanto, não detém poder formal para reorganizar palanques regionais.
Parte da legenda também quer que Flávio, apontado como possível porta-voz do pai, esclareça qual será o papel de cada membro da família na condução do partido até 2026.
Disputa por espaço atinge escolha ao Senado
O embate não se limita ao Ceará. Em Santa Catarina, Jair Bolsonaro sinalizou preferência pelo filho Carlos para a disputa ao Senado, enquanto Michelle apoia a deputada Caroline de Toni (PL). Na última terça-feira, durante reunião interna sobre estratégias pós-prisão, Michelle brincou que havia preparado milho cozido para o “meu galo”, jeito íntimo de se referir ao marido. A piada sobre o ex-presidente “provar ser imbrochável” desagradou a Flávio, que pediu cautela diante da possibilidade de gravações.
Na saída do encontro, o senador se autoproclamou porta-voz do pai, sem consultar a madrasta. A cena intensificou o mal-estar que emergiu publicamente apenas nesta semana.
Imagem: Miguel Schincariol
Repercussão no Congresso e entre governadores
Enquanto a família se divide, governadores alinhados à direita tentam preencher o espaço. Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Ronaldo Caiado (Goiás) confirmaram presença em audiência sobre a PEC da Segurança nesta terça-feira. O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), fez movimento semelhante na semana passada. Aliados enxergam a vitrine da segurança pública como chance de se cacifar para 2026, sobretudo após a prisão do ex-presidente.
No Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia assegurou que as eleições não sofrerão “interferência de quem quer que seja”. A declaração foi lida nos bastidores como recado de que, apesar das disputas internas, o bolsonarismo não terá tratamento diferenciado no pleito.
Próximos passos do clã
A reunião desta terça-feira no PL deve definir diretrizes para as alianças estaduais e quem falará oficialmente em nome de Jair Bolsonaro. Parlamentares esperam que a pauta inclua a sucessão ao Senado por Santa Catarina e a condução da sigla no Nordeste, região vista como estratégica após o resultado das eleições de 2024.
Até lá, a família segue em compasso de espera. Flávio, Carlos e Eduardo reiteram que respeitarão “qualquer orientação do pai”, mas condicionam o apoio a Michelle a um recuo da ex-primeira-dama em decisões partidárias sem chancela formal.
Ao expor a divisão, o episódio indica que o futuro do bolsonarismo dependerá da capacidade de conciliar interesses pessoais enquanto o principal líder atravessa o período de reclusão.
Para acompanhar outras análises sobre o impacto político das decisões partidárias, visite a seção Governamental do Diário de Finanças, onde reunimos conteúdos atualizados sobre o cenário em Brasília.
Resumo: As críticas públicas de Flávio, Carlos e Eduardo a Michelle revelam uma disputa de poder na ausência de Jair Bolsonaro. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta reportagem se ela ajudou a entender o novo mapa de forças dentro do bolsonarismo.
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