Fim da escala 6x1 preocupa indústria sobre custos e empregos -

Fim da escala 6×1 preocupa indústria sobre custos e empregos

Fim da escala 6×1 preocupa indústria sobre custos e empregos. Entidades industriais alertaram nesta terça-feira (10) que a proposta de extinguir o regime 6×1, com possível adoção de jornada de 36 horas semanais em modelo 4×3 sem redução de salários, pode elevar despesas e colocar em risco a competitividade do setor produtivo.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgaram notas públicas nas quais pedem cautela ao Congresso e ao governo federal, destacando a necessidade de preservar a autonomia das negociações coletivas.

Fim da escala 6×1 preocupa indústria sobre custos e empregos

Entidades pedem debate amplo

A Fiesp informou que mantém diálogo com lideranças sindicais e outros segmentos produtivos para discutir alternativas. Segundo o presidente Paulo Skaf, “o engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores”. A federação defende que qualquer mudança respeite a soberania dos acordos coletivos previstos na Constituição Federal.

Já a Abimaq classificou a iniciativa como “risco concreto de graves prejuízos” à economia e ao emprego formal. A associação teme que a elevação dos custos trabalhistas inviabilize investimentos, sobretudo em pequenas e médias empresas.

Estudo da CNI dimensiona impacto financeiro

Para embasar as preocupações, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou estudo que estima acréscimo de R$ 178,8 bilhões por ano nos custos com empregados formais, caso a jornada semanal caia de 44 para 36 horas sem ajuste salarial. O valor representa aumento de 25,1% sobre a folha de pagamento do setor, tomando como referência dados de 2023.

O levantamento destaca que, se optarem por contratar novos trabalhadores para manter o volume de produção, as companhias arcariam não apenas com salários, mas também com encargos legais e benefícios como plano de saúde, previdência privada, auxílio-creche, transporte e alimentação.

Risco de inflação e perda de competitividade

A Fiesp alertou que a transição para uma jornada menor sem aumento de produtividade ou redução do chamado “Custo Brasil” pode pressionar preços, reduzir margens e provocar reajustes salariais repassados ao consumidor. “Há risco de perda de competitividade e de retrocesso econômico caso a mudança seja aprovada sem estudos aprofundados”, diz a nota.

Na avaliação das entidades, setores intensivos em mão de obra seriam os mais afetados, com eventual retração de vagas formais e avanço da informalidade. A preocupação se estende às disparidades regionais: estados com menor dinamismo industrial enfrentariam dificuldades extras para absorver as exigências de contratação.

Diversidade produtiva requer flexibilidade

Em posicionamento público, a CNI reforçou que qualquer alteração na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) deve levar em conta a pluralidade de arranjos produtivos existentes no país, os diferentes portes de empresas e as especificidades regionais. A confederação defende que a legislação mantenha margens de negociação direta entre empregadores e empregados.

As entidades afirmam apoiar avanços que conciliem melhoria das condições de trabalho, aumento da produtividade e sustentabilidade econômica. Contudo, insistem que a proposta de fim da escala 6×1, tal como está sendo discutida, carece de análises técnicas sobre seus reflexos fiscais e sociais.

O debate seguirá nas próximas semanas no Congresso Nacional, onde parlamentares estudam possíveis ajustes no texto para contemplar proteção ao emprego e à competitividade. Representantes da indústria devem participar de audiências públicas para detalhar os impactos apontados nos estudos.

Em síntese, a proposta de extinguir a escala 6×1 acendeu sinal de alerta no setor industrial, que vê no aumento de custos e na rigidez legal potenciais ameaças à manutenção de postos de trabalho e ao equilíbrio financeiro das empresas.

Para acompanhar outras discussões que afetam o mercado e o bolso dos brasileiros, visite a seção de economia do Diário de Finanças.

Resumo: entidades como Fiesp, Abimaq e CNI defendem cautela na proposta de fim da escala 6×1, citando impacto de R$ 178,8 bi nos custos e risco de perda de competitividade. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta reportagem para ampliar o debate.

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