França confirma voto contra acordo UE-Mercosul na UE -

França confirma voto contra acordo UE-Mercosul na UE

França confirma voto contra acordo UE-Mercosul após declaração oficial do presidente Emmanuel Macron nesta quinta-feira (8), mantendo Paris como maior foco de resistência ao tratado negociado há mais de 25 anos.

Macron informou que a posição contrária será apresentada na reunião dos embaixadores dos 27 Estados-membros marcada para esta sexta-feira (9), em Bruxelas, e já foi comunicada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

França confirma voto contra acordo UE-Mercosul

Segundo o chefe de Estado francês, as “contas não fecham” para o setor agrícola nacional, que teme perder espaço devido à entrada de produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a exigências ambientais diferentes das europeias. Macron também prometeu barrar qualquer tentativa de acelerar a aprovação do texto dentro do bloco.

Resistência agrícola francesa

No mês passado, o Palácio do Eliseu já havia condicionado eventual apoio à inclusão de novas salvaguardas para proteger agricultores locais. Como gesto adicional, o governo decretou ontem a suspensão temporária, por um ano, de importações de itens agrícolas tratados com agrotóxicos proibidos na União Europeia, especialmente vindos da América do Sul. A medida abrange abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas que contenham resíduos de mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato ou benomil, e ainda depende de aval de Bruxelas.

Mesmo com o anúncio, sindicatos rurais promoveram protestos em ruas e pontos turísticos de Paris nesta quinta, reforçando a pressão doméstica contra o acordo UE-Mercosul.

Impacto para o Brasil e o Mercosul

Para o Brasil, maior economia do bloco sul-americano, o tratado ampliaria o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, com redução ou eliminação gradual de tarifas sobre bens agrícolas e industriais. A Confederação Nacional da Indústria e entidades ligadas ao agronegócio veem no pacto oportunidades de diversificar exportações e atrair investimentos.

O Itamaraty não comentou a nova manifestação francesa.

Apoio e dúvidas dentro da União Europeia

Enquanto Paris, Irlanda, Hungria e Polônia mantêm reservas, Alemanha e Espanha defendem que o bloco avance. O chanceler alemão, Friedrich Merz, argumenta que o acordo ajudaria a União Europeia a mitigar tarifas dos Estados Unidos e reduzir dependência da China, ampliando acesso a minerais estratégicos. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reforça a necessidade de consolidar a credibilidade comercial europeia.

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Imagem: Divulgação

A Itália, que ameaçava votar contra, sinalizou apoio após receber proposta de liberar €45 bilhões em recursos para agricultores no período de 2028 a 2034. Segundo fonte ouvida pela agência Reuters, Roma deve votar a favor na reunião desta sexta.

Próximos passos

Para autorizar a assinatura do acordo, a Comissão Europeia precisa do aval de pelo menos 15 países que representem 65% da população do bloco. Caso conquiste essa maioria, Ursula von der Leyen poderá assinar o texto formalmente na segunda-feira (12), no Paraguai, criando a maior área de livre-comércio do mundo.

Com o voto contrário francês já declarado, diplomatas avaliam se o apoio de Itália, Alemanha, Espanha e outros parceiros será suficiente para superar a resistência e destravar o processo.

Nas próximas horas, o cenário seguirá em intensa negociação, com possíveis ajustes no texto para atender preocupações agrícolas e ambientais sem comprometer a abrangência do acordo UE-Mercosul.

Para entender outros movimentos que afetam a economia internacional, confira também nossa seção dedicada a Economia.

Em resumo, a decisão francesa adiciona nova incerteza ao futuro do maior tratado birregional do planeta. Acompanhe nossas atualizações e saiba primeiro se a União Europeia conseguirá reunir votos suficientes para aprovar o acordo UE-Mercosul.

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