Fraude no Banco Master: BC vê R$ 11,5 bi em fundos da Reag -

Fraude no Banco Master: BC vê R$ 11,5 bi em fundos da Reag

Fraude no Banco Master: BC vê R$ 11,5 bi em fundos da Reag — O Banco Central (BC) enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um relatório em que aponta indícios de fraude em operações do Banco Master com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., totalizando R$ 11,5 bilhões.

O documento, ao qual a reportagem teve acesso, revela que as transações ocorreram entre julho de 2023 e julho de 2024 e descumpriram normas do Sistema Financeiro Nacional, sobretudo nos quesitos garantia, liquidez e diversificação.

Fraude no Banco Master: BC vê R$ 11,5 bi em fundos da Reag

Segundo o BC, dois dos fundos envolvidos — Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios — podem ter sido utilizados para pulverizar recursos em nome de terceiros, os chamados “laranjas”. A autarquia acionou o Ministério Público Federal (MPF) em 17 de novembro de 2025, solicitando investigação por suspeitas de desvio de recursos e gestão fraudulenta.

Operação Carbono Oculto envolve Reag e setor de combustíveis

A Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo. A ação mirou possíveis ligações entre distribuidoras de combustíveis, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas sediadas na região da Faria Lima, em São Paulo. Procurada na tarde de terça-feira (30), a Reag não se pronunciou.

Irregularidades recorrentes e risco à solidez do Master

Essa é a segunda representação do Banco Central ao MPF contra o Master. A primeira, ainda em 2025, denunciou a revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos consignados inexistentes ao Banco de Brasília (BRB). No novo dossiê, o BC destaca “inadequado gerenciamento de capital e risco, com negócios sem garantia, liquidez e diversificação”, fatores que teriam agravado a crise da instituição e motivado processos administrativos sancionadores já em fase de instrução.

TCU apura eventual omissão do BC

O TCU, sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, conduz investigação sigilosa para avaliar possíveis falhas do próprio BC na supervisão do caso Master. Técnicos do tribunal admitem ter competência para fiscalizar a autarquia, mas divergem sobre a possibilidade de anular a liquidação extrajudicial do banco, decretada em novembro de 2025.

Depoimentos no STF e acareação de versões conflitantes

Nesta terça-feira (30), Daniel Vorcaro, controlador do Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, prestaram depoimento presencial à Polícia Federal, no Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro e Costa participaram de uma acareação devido a versões divergentes sobre a tentativa de venda do Master ao BRB. A audiência foi acompanhada por um membro do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito.

Estrutura das operações suspeitas

Investigações apontam que, antes mesmo de fechar negociação com o BRB, o Master teria emitido e vendido ao banco público cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado, dos quais R$ 6,7 bilhões corresponderiam a contratos falsos e R$ 5,5 bilhões a prêmios referentes ao valor presumido das carteiras.

Próximos passos

Com os novos indícios, o MPF analisará a abertura de ação penal contra os envolvidos, enquanto o TCU decide se responsabiliza o Banco Central por eventuais falhas de supervisão. Paralelamente, os processos administrativos internos seguem em curso, podendo resultar em multas e inabilitação dos dirigentes do Master.

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Em síntese, o Banco Central identificou operações suspeitas que somam R$ 11,5 bilhões entre o Banco Master e fundos da Reag, acionando tanto o MPF quanto o TCU. Siga nossas atualizações e mantenha-se informado sobre os próximos capítulos deste caso.

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