Fundo Florestas Tropicais para Sempre recebe US$ 5,5 bilhões em promessas de investimentos, incluindo US$ 1 bilhão do governo Lula, e se consolida como principal aposta do Brasil para a COP-30.
Apresentado pelo Brasil durante a COP-28, em Dubai, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) acumulou cerca de US$ 5,5 bilhões em compromissos financeiros. O mecanismo propõe remunerar países pela manutenção de áreas preservadas e é encarado pelo Palácio do Planalto como o grande trunfo para a Conferência do Clima da ONU (COP-30), marcada para Belém.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre recebe US$ 5,5 bi
Do total anunciado, US$ 1 bilhão virá diretamente do governo brasileiro. O restante foi prometido por nações e instituições parceiras, com destaque para a Noruega, que surpreendeu o Itamaraty ao declarar intenção de aportar até US$ 3 bilhões. Segundo interlocutores do Ministério do Meio Ambiente, a cifra superou as expectativas e compensou a ausência do Reino Unido, que preferiu não aderir ao TFFF neste primeiro momento.
Por que a proposta é considerada inovadora
Diferentemente de iniciativas que pagam por redução de emissões futuras, o TFFF recompensa a conservação comprovada de cada hectare de floresta existente. A meta é fornecer receita previsível a governos regionais, comunidades tradicionais e proprietários rurais engajados em manter a Amazônia em pé.
Condições impostas pela Noruega
Embora expressivo, o aporte norueguês traz três condicionantes:
- O fundo precisa alcançar US$ 10 bilhões em contribuições adicionais até dezembro de 2026.
- A participação da Noruega não poderá exceder 20% do montante total reunido.
- O modelo de financiamento deve demonstrar sustentabilidade financeira e risco considerado aceitável pelos investidores.
Especialistas avaliam que as cláusulas buscam evitar excesso de dependência de um único doador e garantir governança robusta. Para Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, o anúncio de Londres de ficar de fora acabou estimulando Oslo a agir “acima da média”, reforçando o protagonismo tradicional do país nórdico em temas ambientais.
Belém no centro das atenções
A capital paraense já sente os reflexos do protagonismo climático. O navio Rainbow Warrior, da ONG Greenpeace, atracou no porto local como símbolo da mobilização global pela floresta. Paralelamente, a cidade recebeu a “Cúpula de Líderes”, encontro preparatório em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou seis propostas para negociação na COP-30.
Próximos passos e desafios
Para destravar os recursos prometidos, a equipe econômica e o Ministério do Meio Ambiente precisam detalhar regras de distribuição, indicadores de desempenho e mecanismos de auditoria independentes. Além disso, o governo trabalha para atrair fundos soberanos, filantropias internacionais e o setor privado, buscando cumprir o requisito de US$ 10 bilhões imposto por Oslo.
Imagem: Paula Ferreira
Outro ponto sensível é a definição de um teto para cada doador, garantindo equilíbrio entre fontes públicas e privadas. Integrantes da Casa Civil admitem que esse desenho será fundamental para convencer países ainda reticentes, como Reino Unido e Alemanha, a revisarem sua posição antes da conferência em Belém.
Repercussão política
No Congresso Nacional, a notícia foi recebida com cautela. Parlamentares da bancada ambientalista elogiaram o avanço, mas cobraram transparência nos critérios de aplicação do dinheiro. Já setores ligados ao agronegócio pedem que o TFFF contemple proprietários que mantêm Reserva Legal acima do exigido pelo Código Florestal.
Apesar das pressões, auxiliares de Lula classificam o volume de US$ 5,5 bilhões como “vitória diplomática” e destacam o ineditismo do mecanismo. A avaliação interna é de que, se bem-sucedido, o fundo pode estabelecer novo padrão global de financiamento para conservação de florestas tropicais.
Com o calendário apertado, representantes do BNDES, designado para operar o TFFF, já iniciaram contato com potenciais doadores na Ásia e no Oriente Médio. A meta é apresentar avanços concretos antes da próxima rodada de negociações multilaterais, prevista para o primeiro semestre de 2025.
Em síntese, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre deu um passo significativo ao assegurar US$ 5,5 bilhões, mas ainda enfrenta o desafio de dobrar esse montante, definir regras claras e transformar promessas em desembolsos efetivos.
Para acompanhar outras iniciativas governamentais que podem impactar a economia, visite a seção Governamental do Diário de Finanças.
O TFFF desponta como peça-chave da estratégia climática brasileira. Continue acompanhando nossas atualizações e descubra como o avanço das negociações pode abrir novas oportunidades de investimento e desenvolvimento sustentável.



