Gabriel Bortoleto na F1 tornou-se realidade após uma sequência de decisões estratégicas que começou ainda em 2022, passou por um início avassalador na Fórmula 3 em 2023 e ganhou contornos decisivos em uma reunião de mais de três horas com Mattia Binotto, já em 2024. O resultado é histórico: o paulista de Osasco será o primeiro brasileiro titular na categoria desde 2017, defendendo a Sauber a partir de 2025.
O caminho, contudo, não foi linear. De um “não” inicial à própria Sauber ao apoio inesperado de Bernie Ecclestone, Bortoleto precisou combinar desempenho em pista, influência nos bastidores e resiliência pessoal para voltar a colocar o Brasil no grid da principal categoria do automobilismo mundial.
Gabriel Bortoleto na F1: bastidores da vaga na Sauber
A primeira peça desse quebra-cabeça foi um teste particular realizado em novembro de 2022, quando o então piloto de 18 anos chamou atenção da Trident e garantiu vaga na equipe para a temporada seguinte da Fórmula 3. Ainda em março de 2023, no Bahrein, ele dominou o fim de semana de estreia e atraiu o interesse imediato da McLaren, que o incluiu em seu concorrido programa de jovens pilotos.
Em paralelo, o brasileiro fechou contrato com a Invicta para disputar a Fórmula 2 em 2024, o passo definitivo antes da Fórmula 1. Durante aquele primeiro semestre, a Sauber apresentou uma proposta ousada: se Bortoleto terminasse o campeonato da F2 entre os três primeiros, receberia um assento titular em 2025. O convite, articulado pelo empresário Geraldo Rodrigues e pelo então chefe Andreas Seidl, foi recusado em setembro de 2023. O foco do piloto era usar a estrutura técnica oferecida pela McLaren, mesmo sem perspectiva de subir ao time principal que já contava com Lando Norris e Oscar Piastri.
No início de 2024, a pressão aumentou. Os resultados na F2 oscilaram, outras vagas na F1 foram preenchidas e o nome de Bortoleto saiu do radar. A guinada veio em junho, quando a Sauber trocou de comando: Mattia Binotto assumiu o lugar de Seidl, coincidindo com a recuperação de desempenho do brasileiro na pista.
Sem canal direto com a nova direção, Lincoln Oliveira, pai de Gabriel, recorreu a Fabiana Flosi, vice-presidente de Esporte da FIA, e pediu a intermediação de Bernie Ecclestone. O ex-chefão da Fórmula 1 aceitou telefonar pessoalmente para Binotto. Dias depois, o piloto recebeu o convite para ir à Suíça “olhar nos olhos” do futuro responsável pela operação da Audi.
O encontro, previsto para durar 30 minutos, estendeu-se por mais de três horas. Binotto quis saber detalhes da família, da carreira e da mentalidade de Bortoleto. Na saída, apontou o logotipo da Audi em uma parede da fábrica e deixou o recado: “Acostume-se com esse símbolo”.
Embora reconheça o peso da ligação de Ecclestone, o brasileiro credita a decisão final ao que ocorreu na conversa presencial. Segundo Binotto, bastaram “alguns minutos de olho no olho” para enxergar a resiliência necessária a um projeto de longo prazo.
A partir dali, a mensagem foi clara: ele precisava provar em pista que estava pronto para 2025. A resposta veio em Monza, em setembro, quando Bortoleto venceu uma corrida largando da última posição. Duas semanas depois, assumiu a liderança da Fórmula 2.
Em dezembro, no GP de Abu Dhabi, fechou o campeonato com o título e carimbou a vaga na Sauber para 2025 — contrato de dois anos com opção de um terceiro, já pensando na transformação da equipe em Audi em 2026. A renovação de Valtteri Bottas chegou a ser preparada como plano B, mas nunca foi assinada.
Imagem: Divulgação
Bortoleto revelou que só recebeu a confirmação oficial durante a semana do GP de São Paulo, em novembro: “Preferi não acreditar até pôr a caneta no papel. Na Fórmula 1 já ouvi muitas histórias”.
Três momentos decisivos até o anúncio
• Teste da Trident em 2022: abriu portas na Fórmula 3, onde brilhou em 2023.
• Domínio no Bahrein em março de 2023: colocou a McLaren em seu caminho e, indiretamente, atraiu a Sauber.
• Reunião com Binotto em agosto de 2024: selou confiança mútua e transformou o interesse em proposta concreta.
Com a assinatura confirmada, Gabriel Bortoleto encerra um jejum de oito anos sem representantes brasileiros efetivos no grid e alimenta a expectativa de ser o piloto a conquistar a primeira vitória da Audi na categoria. “É uma jornada difícil, mas me sinto preparado para cada etapa”, afirmou.
Ao relembrar a frase que ouviu no paddock do kartismo — “Se eu te falar, você vai desistir” —, o paulista reconhece que o desafio para chegar à Fórmula 1 exige muito mais que talento: “É preciso saber a porta certa para bater e estar pronto quando ela se abrir”.
Agora, com 20 anos, experiência no automobilismo europeu desde os 11 e um título recente na F2, ele terá a chance de converter os bastidores em desempenho dentro das pistas a partir da pré-temporada de 2025.
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Resumo: o retorno do Brasil à Fórmula 1 passa pela trajetória de Gabriel Bortoleto, marcada por escolhas estratégicas, apoio de nomes influentes e conquistas na pista. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta notícia!



