Geopolítica do petróleo ganha um novo capítulo com a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, realizada no sábado (3), segundo avaliação do ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates.
Em entrevista ao programa Agora CNN, Prates afirmou que a operação norte-americana expõe uma reconfiguração global de áreas de influência, em que grandes potências disputam acesso a recursos estratégicos, como petróleo e minerais críticos.
Geopolítica do petróleo: Brasil em foco após crise na Venezuela
Para o especialista, o cenário atual difere dos choques energéticos dos anos 1970. “Agora assistimos a colisões de zonas de influência”, disse, citando Rússia no leste europeu e Ásia Central, China no Extremo Oriente e na África, e Estados Unidos na América Latina.
Interesses americanos vão além do petróleo
A Venezuela tem capacidade instalada para produzir 3 milhões de barris diários, mas entrega menos de 1 milhão em razão da falta de investimentos. Mesmo assim, conforme Prates, Washington também mira cassiterita, bauxita, ouro, terras raras e outros minerais estratégicos existentes no país caribenho.
Brasil surge como fornecedor confiável para a China
Nesse contexto, o Brasil aparece como alternativa sólida para Pequim. “Temos um petróleo de alta qualidade, produção crescente e consolidada no pré-sal, onde empresas chinesas possuem participação direta”, lembrou o ex-presidente da Petrobras.
Além da vantagem geológica, Prates ressaltou a estabilidade institucional e a ausência de sanções internacionais. Caso a oferta venezuelana à China seja reduzida pela presença dos EUA, o segundo maior importador global buscará suprimento extra. “O backup do óleo da Venezuela para a China será o Brasil”, projetou.
Efeitos da bipolaridade EUA–China para o Brasil
Prates alertou que o acirramento entre Washington e Pequim fará ambos observarem o Brasil com novas perspectivas: a China tende a intensificar os laços comerciais, enquanto os Estados Unidos podem adotar postura mais cautelosa.
Imagem: Divulgação
Ele acrescentou que, se a indústria petroleira venezuelana se recuperar sob administração norte-americana, Caracas voltará a competir diretamente com o Brasil no mercado internacional, pressionando preços e participações.
No momento, a geopolítica do petróleo coloca o Brasil no centro das discussões, seja como fornecedor preferencial da Ásia, seja como peça-chave em um tabuleiro dominado por interesses energéticos e minerais.
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