Guerra entre Fed e Trump marca o cenário financeiro dos Estados Unidos após promotores federais anunciarem, nesta quinta-feira (18), a abertura de processo criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed). Mesmo diante da tensão institucional, os principais índices acionários exibiram oscilação contida, indicando que investidores seguem monitorando, mas sem movimentos bruscos, o embate envolvendo política monetária e Casa Branca.
De acordo com o comunicado do Departamento de Justiça, Powell será investigado por suposta má condução de informações internas. Em resposta, o presidente do Fed adotou tom incomumente duro, afirmando que “qualquer tentativa de interferir na autonomia da autoridade monetária será combatida pela via legal”. A declaração foi interpretada como reação direta à ameaça do ex-presidente Donald Trump de “retomar o controle do banco central”, caso volte ao poder.
Guerra entre Fed e Trump mexe pouco com mercados globais
Apesar do caráter extraordinário das acusações e da troca de farpas, os mercados globais mostraram relativa calma. O índice S&P 500 fechou o dia com leve recuo de 0,3%, enquanto o Dow Jones cedeu 0,2%. Já o rendimento dos Treasuries de dez anos variou apenas três pontos-base, refletindo percepção de risco moderado entre gestores.
Investigação sem precedentes contra Powell
Esta é a primeira vez que um presidente do Fed encara processo criminal em exercício. A investigação mira suposto vazamento de dados sobre projeções de juros, tema sensível porque pode gerar vantagem indevida no mercado de títulos. Powell reiterou que colaborará “inteiramente” com as autoridades e reforçou a importância de manter a confiança na instituição.
Ameaça de intervenção de Trump
Donald Trump, pré-candidato republicano às eleições de 2028, declarou recentemente que “o Fed precisa ser alinhado ao crescimento”, sugerindo impor limites à independência da autarquia. Analistas veem risco de erosão na credibilidade da política monetária caso o ex-presidente tente interferir nos rumos da taxa básica de juros.
Por que o impacto foi limitado?
Estratégias de hedge já estavam em vigor diante de um calendário carregado de eventos políticos nos EUA. Além disso, as apostas majoritárias no mercado de futuros de juros apontam manutenção do atual ciclo restritivo, o que dilui temores de intervenção imediata. Para Paula Gomes, economista-chefe da Alphacap, “o investidor entende que o sistema de pesos e contrapesos norte-americano tende a proteger a autonomia do Fed, mesmo em cenários de turbulência”.

Imagem: Divulgação
Próximos passos
Powell deve prestar depoimento ao Congresso na próxima semana. Paralelamente, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) mantém reunião agendada para fevereiro, quando atualizará projeções econômicas. Caso as tensões avancem, corretores não descartam episódios pontuais de volatilidade, mas descartam contágio sistêmico no curto prazo.
Embora a guerra entre Fed e Trump lance dúvidas sobre a relação entre política e economia, a reação moderada dos mercados sugere confiança na resiliência das instituições dos EUA. Investidores permanecem atentos a novos desdobramentos, mas, por ora, avaliam que o episódio não altera fundamentos macroeconômicos centrais.
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Resumo: o embate judicial e político entre Jerome Powell e Donald Trump elevou o tom em Washington, mas não provocou forte aversão a risco nos mercados. Continue acompanhando nossas atualizações e mantenha-se informado sobre tudo que pode impactar suas finanças.



