Ibovespa estende perdas pela segunda sessão consecutiva, pressionado pela incerteza eleitoral e pela forte realização de lucro em ações de bancos, e encerra a quarta-feira (17) em baixa de 0,79%, aos 157.327 pontos.
O recuo devolve o principal índice da B3 ao patamar observado em 26 de novembro, data que ficou conhecida como “Flávio Day”, quando o mercado reagiu ao anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
Ibovespa estende perdas e volta ao nível do ‘Flávio Day’
No pior momento da sessão, o Ibovespa chegou a tocar 156.351 pontos, queda superior a 1% ante o fechamento anterior, distante da máxima intradiária de 158.611 pontos. O volume financeiro foi turbinado pelo vencimento de opções sobre índice e somou R$ 24,7 bilhões; na B3, o giro total alcançou R$ 33 bilhões.
Setor bancário concentra ajustes
A aversão a risco eleitoral voltou a penalizar o setor financeiro. BTG Pactual liderou as quedas, cedendo 3,29%; Itaú Unibanco PN recuou 0,89%; Bradesco PN, 0,82%; Banco do Brasil ON, 0,74%; e Santander Units, 0,60%. Somados, esses cinco bancos perderam R$ 47,4 bilhões em valor de mercado nos dois últimos pregões, sendo R$ 18,1 bilhões apenas do BTG e R$ 14,9 bilhões do Itaú.
Blue chips de commodities atenuam recuo
No lado positivo, os papéis ON da Vale subiram 1,27%, enquanto as PN da Petrobras avançaram 1,11%, sustentadas pela valorização do minério de ferro e pela alta dos contratos futuros de petróleo no exterior. Esses movimentos ajudaram a conter parte das perdas do índice.
Cenário eleitoral eleva aversão ao risco
De acordo com Rodrigo Andrade, sócio e head de ações da Vinland, o fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro reduziu as apostas em uma chapa de centro-direita mais moderada, frustrando parte do mercado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na véspera indicou maior competitividade do senador em comparação a outros nomes da direita.
A percepção de risco se intensificou após notícias de um encontro entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e agentes econômicos, reforçando a leitura de que a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) perdeu tração diante do avanço de Flávio. O próprio filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve se reunir com investidores nos próximos dias em busca de apoio e para reduzir a volatilidade dos ativos.
Imagem: Patricia Mteiro
Política monetária também pesa
A pauta eleitoral somou-se ao tom mais duro adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A ata divulgada na terça-feira elevou as chances de postergação do início do ciclo de cortes da Selic para março, impactando o humor de curto prazo e favorecendo a realização de lucros após o rali recente.
Bolsa americana amplia cautela
No exterior, Wall Street fechou em queda: Nasdaq caiu 1,81%; S&P 500, 1,16%; e Dow Jones, 0,47%. O desempenho negativo dos principais índices globais adicionou pressão aos ativos brasileiros, já sensíveis ao noticiário político doméstico.
Com o cenário eleitoral indefinido e a política monetária mais restritiva, analistas avaliam que a volatilidade deve permanecer elevada nas próximas semanas. Ainda assim, a combinação de fluxo estrangeiro e preços mais atrativos pode abrir espaço para movimentos de recuperação pontuais, especialmente em setores ligados a commodities.
Para acompanhar outras análises sobre o mercado financeiro e entender como proteger seus investimentos em períodos de incerteza, confira a seção de Economia em nosso portal Diário de Finanças.
Em resumo, o Ibovespa estende perdas diante de incertezas eleitorais e de um Copom mais cauteloso, devolvendo ganhos recentes e voltando ao nível do “Flávio Day”. Continue acompanhando nossas atualizações e receba alertas em tempo real sobre os principais movimentos do mercado.



