Ibovespa recua após correção e fecha em 164,8 mil pontos -

Ibovespa recua após correção e fecha em 164,8 mil pontos

Ibovespa recua 0,46% nesta sexta-feira (16) e encerra o pregão aos 164.800 pontos, devolvendo parte dos ganhos obtidos nas duas sessões anteriores, que haviam levado o índice a níveis recordes.

A correção técnica coincidiu com o vencimento de opções sobre o índice e com declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que descartaram Kevin Hassett, considerado candidato mais dovish, para presidir o Federal Reserve. Após os comentários, o benchmark chegou à mínima de 164.100 pontos, mas reduziu as perdas nos minutos finais.

Ibovespa recua após correção e fecha em 164,8 mil pontos

Mesmo com o ajuste negativo do dia, a principal referência da B3 acumulou alta semanal de 0,88%. No intraday, o Ibovespa tocou a máxima de 165.872 pontos antes de inverter o sinal.

Blue chips registram desempenho misto

Entre as ações de maior peso, o cenário foi dividido. Os papéis preferenciais da Petrobras avançaram 0,79%, impulsionados pela recuperação dos preços do petróleo, enquanto as ações ordinárias da Vale fecharam praticamente estáveis, com leve alta de 0,04% após passarem parte do dia no campo negativo.

Nos bancos, o movimento também foi heterogêneo. As units do BTG Pactual recuaram 1,23%, ao passo que as ações ordinárias do Bradesco ganharam 0,56%. O comportamento misto desses papéis limitou qualquer reação mais forte do índice.

Commodities sofrem com restrições chinesas

Empresas ligadas a metais lideraram as quedas após novas medidas do governo chinês para restringir a atuação de traders de alta frequência nas bolsas de commodities do país, principalmente na Shanghai Futures Exchange (SHFE). Segundo Igor Guedes, analista da Genial Investimentos, a ação das autoridades já provoca desaceleração nos preços de cobre, estanho, alumínio e zinco. CSN caiu 4,42%, enquanto CSN Mineração cedeu 2,46%.

Embora aço e minério de ferro não tenham sido diretamente afetados, Guedes avalia que a iniciativa busca reduzir o volume especulativo acumulado recentemente. “É possível que a correção tenha apenas começado. À medida que servidores de negociação sejam desligados, mais ajustes de preços podem aparecer”, afirmou.

IBC-Br forte pressiona juros futuros e setores domésticos

A agenda de indicadores trouxe o IBC-Br de novembro, que subiu 0,7% ante projeção mediana de 0,4%. O dado reforçou a percepção de atividade econômica resiliente e levou a uma elevação nos juros futuros, movimento que pesou sobre as ações mais sensíveis à economia doméstica.

A Vamos ON liderou as perdas do índice, com queda de 9,09%, em dia de correção após dois pregões de valorização robusta. No setor de construção, Direcional recuou depois de apresentar prévia operacional do quarto trimestre. Para analistas do Citi, apesar de geração de caixa positiva, a velocidade de vendas ficou aquém do esperado.

Perspectivas seguem positivas, diz Citi

Apesar do ajuste desta sexta-feira, o Citi manteve avaliação construtiva para a Bolsa brasileira. Em relatório, o banco cita a rotação de capital de mercados desenvolvidos para emergentes, revisões de lucro por ação em alta e um múltiplo preço/lucro em torno de 10 vezes — abaixo da maioria dos pares, exceto a Argentina — como fatores de suporte ao Ibovespa.

Os analistas também destacam a maior participação do investidor pessoa física, tendência que, na visão da instituição, pode favorecer desempenho superior do mercado acionário local nos próximos meses.

Com a temporada de balanços no radar e as discussões sobre o próximo corte da Selic ainda em aberto, agentes de mercado monitoram indicadores econômicos domésticos e externos, além de novos sinais de política monetária do Federal Reserve.

A semana que se inicia terá dados de inflação ao consumidor (IPCA-15) e confiança da indústria no Brasil, enquanto nos Estados Unidos ganham destaque as prévias de atividade (PMIs). Qualquer surpresa nessas leituras pode adicionar volatilidade aos ativos locais.

Resumo: o Ibovespa recua após correção técnica, mas encerra a semana no azul. Blue chips registram desempenho misto, commodities metálicas sentem o impacto de restrições chinesas e setores ligados à economia interna sofrem com alta dos juros futuros. Ainda assim, casas de análise mantêm visão otimista para o índice, apoiadas em fluxo estrangeiro, revisão de lucros e valuation atrativo.

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