Impulso fiscal deixa terreno negativo e pode complicar política de juros -

Impulso fiscal deixa terreno negativo e pode complicar política de juros

A concentração de gastos públicos prevista para o segundo semestre deve levar o chamado impulso fiscal — diferença entre receitas e despesas do governo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) — a sair do campo negativo e atingir pelo menos a neutralidade, avaliam economistas ouvidos pelo mercado financeiro.

Segundo esses analistas, a inversão de trajetória ocorre porque parte expressiva das despesas federais, estaduais e municipais costuma se materializar nos últimos meses do ano. Essa movimentação tende a injetar recursos na economia em um momento em que o Banco Central ainda avalia o melhor momento para iniciar o ciclo de cortes na taxa básica de juros.

A principal incerteza está no efeito multiplicador dessa expansão de gastos. Caso o impacto sobre a demanda seja maior do que o esperado, a pressão inflacionária pode aumentar, reduzindo o espaço para a autoridade monetária afrouxar a política de juros. O economista Ítalo Franca observa que o mercado acompanha não apenas o impulso federal, mas também as contas de Estados e municípios, cuja participação nas despesas totais é relevante.

Para especialistas, uma eventual migração do impulso fiscal para terreno positivo poderia funcionar na direção oposta ao aperto monetário realizado nos últimos dois anos, complicando a convergência da inflação para a meta.

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Imagem: valor.globo.com

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Com informações de Valor Econômico

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