Inadimplência no cartão de crédito bate recorde em 2025 -

Inadimplência no cartão de crédito bate recorde em 2025

Inadimplência no cartão de crédito bate recorde em 2025 com 64,7% de atrasos no rotativo em dezembro, segundo o Banco Central. Mesmo com desemprego baixo e renda média maior, os brasileiros enfrentaram juros de 438% ao ano, o patamar mais caro do mercado.

O avanço de 10 pontos percentuais na inadimplência entre janeiro (55%) e dezembro (64,7%) contrasta com a taxa de desocupação de 5,6%, a menor desde 2012, e com o aumento real de 5,7% na renda, que atingiu R$ 3.560, de acordo com o IBGE.

Inadimplência no cartão de crédito bate recorde em 2025

Especialistas ouvidos pelo mercado apontam que a elevação da renda formal estimulou bancos e emissores a ampliar limites. “Quem tinha R$ 2.000 passou a contar com R$ 5.000; o cartão virou extensão do salário”, explica Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP. A confiança no emprego não acompanhou o ritmo dos juros compostos, que dispararam quase 25 pontos acima da média histórica de 40,3%.

Além do crédito fácil, o custo de vida pressionou o orçamento familiar. Despesas com saúde, educação e supermercado subiram, levando muitos consumidores a usar o plástico para cobrir gastos essenciais. Para Virgínia Izabel Oliveira, professora da Fundação Dom Cabral (FDC), o aumento salarial não foi suficiente para equilibrar faturas já comprometidas por dívidas antigas.

O baixo índice de desemprego também merece ressalvas metodológicas. O IBGE considera ocupada qualquer pessoa que trabalhou ao menos uma hora na semana de referência. “Isso inclui bicos e atividades informais que não garantem renda regular”, lembra Antonio Pontes, sócio da The Hill Capital. Sem fluxo constante de dinheiro, parte dessa população recorre ao cartão para despesas do dia a dia e acaba presa ao rotativo.

Os números reforçam o alerta: enquanto o rotativo encerrou 2025 com juros médios de 438% ao ano, o parcelado ficou em 189%. No cheque especial, a taxa foi de 138,6%, e no crédito não consignado, 116,8%. Oliveira calcula que R$ 1.000 no rotativo geram R$ 5.530 em dívida após 12 meses, valor impossível de ser compensado por qualquer aplicação financeira comum.

Veja o ranking das linhas mais caras em dezembro de 2025:

• Cartão de crédito rotativo: 438%
• Cartão de crédito parcelado: 189%
• Cheque especial: 138,6%
• Crédito não consignado: 116,8%

O ciclo de atraso tende a se perpetuar. “Quem entra no rotativo normalmente não quita a fatura seguinte, e a dívida cresce em cascata”, observa Patzlaff. Quando o atraso supera 90 dias, o débito é registrado nos órgãos de proteção ao crédito, dificultando novo financiamento.

Para 2026, as projeções econômicas indicam PIB menor. A prévia do IBC-Br aponta alta de 2,4% nos 12 meses até novembro de 2025, enquanto o Boletim Focus prevê expansão de 1,8% para 2026. Mesmo assim, Oliveira avalia que a inadimplência pode estabilizar se a inflação cair abaixo dos 4,26% registrados em 2025 e se a renda continuar subindo modestamente. A expectativa de redução da Selic a partir do segundo trimestre ajudaria a aliviar as taxas dos cartões.

Já Patzlaff vê risco elevado: o estoque de dívidas contraídas em 2025, aliado a eventual desaquecimento do mercado de trabalho, pode agravar a situação das famílias endividadas. A recomendação é renegociar o quanto antes ou migrar para linhas mais baratas, como crédito consignado, além de formar reserva de emergência.

Em resumo, o aparente paradoxo de desemprego baixo e alta inadimplência se explica pelo aumento de limites sem educação financeira, pelo encarecimento do custo de vida e pela renda instável de parte dos trabalhadores. Enquanto os juros do rotativo permanecerem nos atuais 438% ao ano, qualquer atraso transforma pequenos saldos devedor em grandes passivos.

Para saber mais sobre alternativas e cuidados com o uso do cartão, visite nossa seção de Cartão de Crédito e confira dicas de especialistas.

O recorde de inadimplência em 2025 acende alerta sobre o custo do dinheiro no Brasil. Acompanhe nossas publicações e receba orientações práticas para manter o orçamento equilibrado e fugir dos juros mais altos do mercado.

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