Ingressos em blockchain da FIFA sob investigação na Suíça

Ingressos em blockchain da FIFA enfrentam uma análise preliminar do regulador suíço de jogos de azar, a Gespa, que avalia se a venda dos tokens Right to Buy fere a legislação local.

O órgão, que também fiscaliza loterias e apostas esportivas, quer saber se a entidade máxima do futebol mundial está oferecendo a chance de ganhar ingressos para a Copa do Mundo de 2026 ou se o produto se aproxima de uma modalidade de jogo de azar.

Ingressos em blockchain da FIFA sob investigação na Suíça

De acordo com Manuel Richard, diretor da Gespa, uma avaliação interna inicial indicou que a oferta disponível em collect.fifa.com pode se enquadrar na lei suíça que regula jogos de azar. A partir dessa constatação, a agência “prosseguirá com apuração dos fatos para determinar se é necessária ação regulatória”, informou Richard em comunicado enviado por e-mail.

Até o momento, a FIFA não foi formalmente acusada de qualquer infração e preferiu não comentar a investigação. A Gespa confirmou que não havia recebido queixas sobre a plataforma antes dos questionamentos feitos pela imprensa.

Como funcionam os tokens Right to Buy

Lançados em 2024, os tokens Right to Buy (Direito de Compra) conferem ao detentor o direito garantido de adquirir um ingresso para um jogo específico da Copa do Mundo de 2026 assim que as entradas forem disponibilizadas. O assento e até mesmo os times ainda podem ser desconhecidos na data da compra do token, mas o titular tem prioridade na compra do bilhete físico.

Os tokens podem ser revendidos em mercados secundários e alguns estão atrelados ao desempenho de seleções. O Right to Final, por exemplo, só permite a compra de uma entrada para a final caso o país associado ao token chegue à decisão. Com quase 50 equipes previstas no torneio, a maioria dos compradores não conseguirá converter o ativo em ingresso.

Segundo reportagem do The Athletic, a venda de “dezenas de milhares” desses ativos gerou um ganho estimado em US$ 15 milhões para a entidade. Um dos exemplos citados, o token Right to Final: England, custava US$ 999 e esgotou rapidamente.

Valores elevados e mercado dos ingressos

Na semana passada, a FIFA inaugurou sua plataforma oficial de revenda. Lá, alguns ingressos para a final apareceram listados por até US$ 30.000. Esses números reforçam o potencial de receita do torneio de 2026, que será disputado em 16 cidades de Estados Unidos, México e Canadá. A federação projeta arrecadar US$ 11 bilhões entre 2023 e 2026.

O modelo de venda dos tokens difere do processo adotado em 2022, quando as entradas eram disponibilizadas no site da FIFA por ordem de chegada. Desta vez, a comercialização antecipada dos direitos de compra cria um novo fluxo de receitas e introduz elementos de risco para o torcedor.

Poder de atuação da Gespa

Caso conclua que a oferta viola a lei, a Gespa pode ordenar que empresas localizadas na Suíça interrompam práticas consideradas ilegais. Se a companhia operar somente on-line ou tiver sede no exterior, o regulador pode solicitar aos provedores de internet que bloqueiem o acesso ao site no território suíço. A agência também é obrigada a comunicar eventuais infrações às autoridades criminais.

Mesmo sediada em Zurique, a FIFA opera a plataforma Collect em parceria com a desenvolvedora de software blockchain Modex Tech, que mantém escritórios na Suíça, Gibraltar e Itália. Fontes próximas à empresa afirmam que, até o momento, não houve contato formal da Gespa. A Modex preferiu não responder aos pedidos de comentário.

Mercado norte-americano receptivo a criptoativos

A predominância de partidas nos Estados Unidos — onde investidores e fãs de esportes tendem a se sentir mais à vontade com negociações em criptoativos — favorece a adoção de ingressos em blockchain. Esse contexto, no entanto, levanta questionamentos sobre a uniformidade de regras entre os países que receberão o torneio e as jurisdições onde os torcedores residem.

Enquanto a investigação suíça não chega a uma conclusão, os tokens continuam disponíveis aos consumidores globais. Especialistas em regulação esportiva observam que o desfecho poderá criar referência para outros mercados que discutem o uso de blockchain em eventos de grande porte.

A FIFA, por sua vez, mantém seu cronograma de preparação para a Copa do Mundo e, até o momento, não anunciou alterações na oferta dos ativos digitais.

Para acompanhar mais análises sobre o impacto de novas tecnologias na economia do esporte, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.

Resumo: a Gespa avalia se os tokens Right to Buy da FIFA configuram jogo de azar, podendo impor restrições à venda. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como essa decisão pode afetar torcedores e investidores.

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