Intoxicação por metanol volta a preocupar autoridades brasileiras, que recebem reforço internacional com o envio de Fomepizol injetável por parte do governo português para atender pacientes em estado crítico.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal confirmou, em nota, o despacho urgente de ampolas do medicamento considerado fundamental no tratamento de vítimas de envenenamento por metanol. A quantidade não foi divulgada, mas Lisboa afirma que a remessa deve “contribuir de forma imediata para reduzir mortes e aliviar a emergência de saúde pública” em território brasileiro.
Intoxicação por metanol: Portugal envia antídoto ao Brasil
De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, três óbitos foram confirmados — todos no estado de São Paulo — e mais de uma dezena segue em análise. Até o início de outubro, a pasta contabilizava 217 notificações de intoxicação após consumo de bebidas alcoólicas: 17 confirmadas e 200 sob investigação, com 82,49 % dos casos concentrados em São Paulo. Atualização posterior elevou o total para 225 notificações, sendo 16 casos confirmados e 209 em averiguação.
Contexto da crise sanitária
A escalada das ocorrências está ligada à falsificação de bebidas que recebem metanol, substância normalmente utilizada como solvente industrial e em combustíveis. Segundo o diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), criminosos estariam desviando o produto desde a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto para desarticular um esquema de fraude no setor de combustíveis.
Como o Fomepizol age no organismo
O Fomepizol injetável atua como inibidor da enzima álcool desidrogenase, impedindo que o metanol seja convertido em formaldeído e ácido fórmico, compostos responsáveis por danos neurológicos, cegueira e morte. Por ser escasso no mercado internacional, o Brasil solicitou doações a Portugal, Estados Unidos, Índia e à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A Opas recebeu pedido emergencial de 100 tratamentos, com previsão de aquisição adicional de 1.000 kits via Fundo Estratégico.
Outras providências adotadas pelo Brasil
Para ampliar a rede de socorro, o Ministério da Saúde adquiriu 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico, também usado como antídoto, e planeja comprar mais 150 mil unidades para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Uma Sala de Situação foi instalada para monitorar casos e articular ações com os ministérios da Justiça, Segurança Pública, Agricultura e Pecuária, além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e secretarias estaduais.
Fiscalização e investigação criminal
Equipes da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária de São Paulo intensificaram vistorias em bares, distribuidoras e fábricas suspeitas. Amostras de bebidas passam por testes químicos e checagem de lacres e rótulos, medidas essenciais para comprovar a materialidade dos crimes de adulteração.

Imagem: Divulgação
Sintomas e orientação ao público
A ingestão de metanol exige atendimento médico imediato. Os principais sinais de intoxicação são visão turva ou perda de visão, náuseas, vômitos, dor abdominal e sudorese intensa. O Ministério da Saúde recomenda que consumidores fiquem atentos à procedência das bebidas e notifiquem possíveis irregularidades a órgãos competentes.
A cooperação entre Brasil e Portugal, ambos integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reforça a importância de respostas coordenadas frente a emergências sanitárias que ultrapassam fronteiras.
Se desejar entender como outras ações governamentais impactam diretamente a vida do cidadão, confira a cobertura completa em nossa seção Governamental.
Portugal se soma aos esforços para conter a crise de intoxicação por metanol no Brasil, fornecendo o escasso Fomepizol e fortalecendo a rede de atendimento do SUS. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe a informação para ampliar a prevenção.



