Inverno cripto é a expressão que muitos investidores evitam usar para o atual recuo do bitcoin (BTC), mas o tom de cautela aumentou depois de a moeda tocar US$ 89 mil nesta quinta-feira (19), o menor nível desde abril e cerca de 30% abaixo da máxima histórica.
Analistas como Vinicius Bazan, CEO da Underblock, e Axel Blikstad, sócio-fundador da gestora B2V Crypto, reconhecem a severidade da correção, mas destacam que o contexto de 2025 difere do colapso observado em 2022.
Inverno cripto? Analistas apontam diferenças em relação a 2022
Bazan lembra que, pelos parâmetros de mercado tradicional, uma queda de 20% já define um bear market. No ciclo atual, seria a terceira vez que o bitcoin entra nessa zona, mas alguns indicadores técnicos agravam o cenário: a média móvel exponencial (EMA) de 50 períodos no gráfico semanal foi perdida, um sinal considerado perigoso.
Ausência de crise sistêmica sustenta otimismo moderado
Para Blikstad, o ponto-chave é que, ao contrário de 2022, não há uma sequência de insolvências arrastando o setor. Naquele ano, Terra/Luna, 3AC, Celsius e FTX ruíram em cadeia, secando a liquidez e afastando capitais institucionais. Hoje, o movimento negativo ocorre sem rupturas sistêmicas.
O gestor cita a entrada contínua de investidores de longo prazo como evidência: o fundo patrimonial da Universidade de Harvard revelou posição de US$ 443 milhões no ETF de bitcoin IBIT, da BlackRock, enquanto o Abu Dhabi Investment Council elevou sua fatia para US$ 518 milhões no terceiro trimestre.
Institucionais mantêm apetite por criptoativos
Além de Harvard e ADIC, Blikstad menciona o avanço de Luxemburgo e Emirados Árabes na exposição a BTC. Ele destaca ainda um webinar recente do Morgan Stanley recomendando alocação de 2% a 4% em criptoativos para carteiras diversificadas, sinal de que grandes bancos seguem criando áreas dedicadas a ativos digitais.
Flash crash de outubro ampliou a correção
Bazan associa parte da pressão vendedora ao flash crash de 10 de outubro, quando US$ 19 bilhões em posições compradas nos mercados futuros foram liquidadas. O episódio teria forçado vendas adicionais de bitcoin, prolongando a fraqueza atual.
A incerteza macroeconômica também pesa: indicadores norte-americanos ficaram represados durante o shutdown do governo dos Estados Unidos, reduzindo a visibilidade para investidores.

Imagem: Amjith S
Ciclo de quatro anos e expectativas para 2026
Blikstad acredita que alguns participantes estão se antecipando à tradicional queda que costuma ocorrer no quarto ano do ciclo do bitcoin. Se esse movimento já estiver em curso, ele avalia que 2026 pode surpreender positivamente, quebrando a lógica histórica.
O gestor lembra que o Federal Reserve passará por troca de comando em 2026, o que pode resultar em cortes de juros e favorecer ativos de risco, como as criptomoedas.
Mercado atento, mas ainda sem diagnóstico de inverno cripto
Às 20h09 (horário de Brasília), o bitcoin recuava 2,2% em 24 horas, negociado a US$ 91.094. Mesmo com a correção de 5% no ano, especialistas evitam decretar o início de um inverno cripto. Para Bazan, não há colapso estrutural como o de 2022, mas um descompasso entre oferta e demanda de curto prazo.
Enquanto os investidores aguardam novos dados macroeconômicos e monitoram o comportamento dos grandes fundos, a discussão permanece aberta: trata-se de uma correção passageira ou do início de um ciclo de baixa prolongado? Por ora, o mercado segue dividido.
Para acompanhar mais análises sobre o impacto das criptomoedas na economia global, visite nossa seção de Economia e mantenha-se atualizado.
Em resumo, apesar da queda acentuada do bitcoin, especialistas destacam que o ambiente de 2025 não repete a crise sistêmica de 2022, sustentando a esperança de recuperação. Continue de olho em nossos próximos boletins e compartilhe esta matéria para manter seu círculo informado.



