Irã e EUA voltaram ao centro das atenções internacionais depois que o presidente norte-americano Donald Trump declarou, no domingo (11), que Teerã “quer negociar”, ainda que uma ação militar permaneça “sobre a mesa”.
O comentário foi feito um dia após Trump afirmar ter recebido uma ligação iraniana no sábado (10), sinalizando disposição para abrir diálogo em meio a protestos que, há duas semanas, desafiam o regime teocrático.
Irã e EUA podem negociar: veja o que está em debate
Na mesma declaração, Trump advertiu que “talvez” precise agir antes da eventual reunião, caso o governo iraniano intensifique a repressão. Segundo organizações de direitos humanos, mais de 500 pessoas foram mortas e aproximadamente 10.600 foram presas desde o início das manifestações, que levaram Teerã a cortar internet e telefonia na quinta-feira (8).
Protestos intensificam a pressão interna
Os protestos, considerados os maiores desde a Revolução de 1979, colocaram o sistema político iraniano sob forte pressão. A perda de comunicação externa transformou o país em uma espécie de “ilha” informacional, dificultando a verificação independente dos números de vítimas e presos.
Trump, por sua vez, disse a repórteres que a Casa Branca não ficará “de braços cruzados” se a violência contra civis aumentar. De acordo com fontes ouvidas pela CNN, o governo avalia desde ataques militares a novas sanções direcionadas a autoridades, ao setor energético e ao sistema bancário iraniano.
Pauta nuclear volta ao centro das negociações
No primeiro semestre do ano passado, Irã e EUA conduziram rodadas indiretas de diálogo entre o então vice-chanceler iraniano, Abbas Araghchi, e o enviado especial de Trump, Steve Witkoff. O principal tema foi a limitação do programa nuclear iraniano, especialmente o grau de enriquecimento de urânio.
Washington também insistiu em incluir o programa de mísseis balísticos, exigência rejeitada por Teerã sob o argumento de que limitar seus projéteis a deixaria vulnerável. Essa resistência teria se ampliado após o ataque conjunto israelense-americano a instalações nucleares iranianas em junho, que, segundo Trump, “aniquilou” o programa — avaliação contestada por analistas, que estimam um atraso de meses ou anos, mas não destruição total.
O que cada lado quer
Para Teerã, o enriquecimento de urânio é inegociável. Em maio, Araghchi escreveu: “Zero armas nucleares = temos um acordo. Zero enriquecimento = não temos um acordo”. A posição foi reiterada em novembro pelo conselheiro de política externa do líder supremo, Kamal Kharrazi, que condicionou qualquer retorno à mesa a um gesto inicial de Washington, “em bases de igualdade e respeito mútuo”.
Imagem: Reuters
Já os Estados Unidos pretendem obter garantias verificáveis de que o combustível nuclear não será refinado a níveis passíveis de uso bélico. Além disso, o governo Trump quer discutir o alcance dos mísseis iranianos e frear o apoio de Teerã a grupos armados na região.
Cenários possíveis
Especialistas veem três cenários imediatos. No primeiro, Irã e EUA retomam o canal diplomático interrompido em junho, possivelmente sob mediação europeia. No segundo, cresce a pressão por sanções, enquanto a crise interna iraniana se aprofunda. No terceiro — e mais preocupante —, uma escalada militar limitada, mas de alto impacto regional, é desencadeada antes que qualquer encontro ocorra.
Embora ambos os governos usem declarações públicas como instrumentos de barganha, analistas lembram que as partes já demonstraram capacidade de diálogo técnico no passado recente. A dúvida é se o momento político permitirá compromissos que, até aqui, cada lado se recusa a conceder.
Neste cenário volátil, observadores internacionais aguardam os próximos passos, cientes de que qualquer avanço — ou retrocesso — afetará não apenas o Oriente Médio, mas também os mercados globais de energia e segurança.
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Em síntese, o futuro imediato das relações entre Irã e EUA dependerá da capacidade de ambos de equilibrar pressões internas e ambições estratégicas. Acompanhe as atualizações e esteja pronto para agir: assine nosso boletim e receba notícias essenciais diretamente no seu e-mail.



