O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota nesta quinta-feira (11) para contestar declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que classificou como “caça às bruxas” a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e sinalizou novas sanções contra o Brasil.
Na mensagem, o Itamaraty enfatizou que o Judiciário brasileiro atuou “com a independência garantida pela Constituição de 1988” ao julgar os primeiros réus pela tentativa frustrada de golpe de Estado. “As instituições democráticas brasileiras deram sua resposta ao golpismo”, destacou o texto assinado pela chancelaria chefiada pelo embaixador Mauro Vieira.
A pasta acrescentou que o governo “continuará a defender a soberania do país de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem”. Segundo o comunicado, ameaças como a feita por Rubio “não intimidarão a nossa democracia” e ignoram “os fatos e as contundentes provas dos autos”.
Ameaças de Washington
Em publicação nas redes sociais, Rubio acusou o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, de perseguição política e mencionou possíveis medidas de retaliação. “Os Estados Unidos responderão de forma adequada a essa caça às bruxas”, escreveu o norte-americano.
O governo dos EUA já havia adotado, no fim de julho, sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky, que permite punições unilaterais a supostos violadores de direitos humanos. A restrição inclui o bloqueio de ativos e empresas ligadas ao ministro em território norte-americano.
No mês seguinte, Washington impôs tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras, ampliando a tensão comercial entre os dois países.
Condenação de Bolsonaro
Na quarta-feira (10), o STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Trata-se da primeira sentença desse tipo aplicada a um ex-presidente da República no país.

Imagem: Vinicius Loures via agenciabrasil.ebc.com.br
A decisão teve repercussão internacional. Em conversa com jornalistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter ficado “surpreso” com o veredicto, de acordo com a agência Reuters.
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Com informações de Agência Brasil



