Tóquio (Japão) – O Ministério do Meio Ambiente japonês confirmou, em 3 de setembro de 2024, a erradicação dos mangustos introduzidos em 1979 na ilha de Amami-Oshima, província de Kagoshima. A espécie havia sido solta para controlar cobras venenosas, mas acabou provocando um desequilíbrio ecológico que exigiu quase meio século de ações de contenção.
Como tudo começou
Em 1979, cerca de 30 mangustos foram levados a Amami-Oshima para reduzir a população da cobra habu (Trimeresurus flavoviridis), considerada ameaça a moradores e turistas. O plano falhou porque o mamífero é diurno, enquanto a serpente caça à noite. Sem predar as cobras, os mangustos voltaram-se a espécies endêmicas, como o raro coelho-de-Amami (Pentalagus furnessi), redescoberto no mesmo ano.
Expansão da população invasora
Nas décadas seguintes, o número de mangustos chegou a aproximadamente 10 mil indivíduos, estimativa de 2000. A invasão agravou o risco de extinção de diversas aves, répteis e mamíferos da ilha, classificada pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade.
Início do controle
O governo lançou um programa de captura em 1993. Com o tempo, foram instaladas cerca de 30 mil armadilhas e câmeras com sensor de movimento. Moradores se uniram no grupo Amami Mongoose Busters, responsável por capturar milhares de animais.
Últimos registros
A última captura oficial ocorreu em abril de 2018. Desde então, nenhuma nova ocorrência foi registrada. Em fevereiro de 2023, um painel de especialistas estimou a taxa de erradicação entre 98,8% e 99,8%.
Declaração oficial
A confirmação de 3 de setembro de 2024 levou em conta a ausência de mangustos por mais de seis anos. O ministério anunciou a retirada gradual das armadilhas, mas manterá monitoramento por câmeras para impedir nova introdução.
Imagem: br.ign.com
Segundo a pasta, trata-se de um dos maiores casos de remoção bem-sucedida de mangustos não nativos já documentados, encerrando uma intervenção que começou com apenas 30 animais e quase comprometeu ecossistemas únicos da ilha.
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O caso de Amami-Oshima ilustra como decisões ambientais mal planejadas podem gerar custos de longo prazo e destaca a importância de estratégias baseadas em evidências científicas.
Com informações de IGN Brasil



