Juros do crédito pessoal saltam; rotativo chega a 440,5% -

Juros do crédito pessoal saltam; rotativo chega a 440,5%

Juros do crédito pessoal avançaram em novembro, enquanto o cartão de crédito rotativo bateu 440,5% ao ano, mostram Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central.

Os dados, publicados nesta sexta-feira (26), revelam que as famílias pagaram taxas mais altas no mês, em contraste com recuos registrados para empresas. No crédito pessoal não consignado, o acréscimo foi de 5,5 pontos percentuais (pp), levando a taxa média a 106,6% ao ano. Já o cartão parcelado subiu 3,2 pp, chegando a 181,2% ao ano.

Juros do crédito pessoal saltam; rotativo chega a 440,5%

Alta nas modalidades para famílias

A fatura mais pesada ficou com o cartão de crédito rotativo. Apesar das limitações impostas em janeiro do ano passado, a modalidade encareceu 0,7 pp em novembro e alcançou 440,5% ao ano. Em 12 meses, o recuo acumulado é de 5,4 pp, mas o patamar segue entre os mais altos do mercado.

O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura e opta pelo mínimo. Após 30 dias, a dívida migra para o cartão parcelado, que, mesmo com o aumento mensal, apresenta queda de 2 pp no acumulado de um ano. Já o crédito pessoal não consignado, que liderou a alta de novembro, mostra elevação de 7,3 pp em 12 meses.

No conjunto das operações livres para pessoas físicas, a taxa média subiu 0,9 pp no mês e 6,2 pp no comparativo anual, atingindo 59,4% ao ano.

Empresas veem recuo nos juros livres

Para as companhias, a situação foi inversa. Os juros médios nas novas contratações de crédito livre caíram 0,6 pp em novembro, chegando a 24,5% ao ano, ainda que acumulem alta de 2,8 pp em 12 meses. Destaque para o desconto de duplicatas e outros recebíveis, cuja taxa recuou 0,7 pp, fechando em 19,3% ao ano. Operações de capital de giro com prazo superior a 365 dias também cederam 0,7 pp, para 21,8% ao ano.

Crédito direcionado mantém estabilidade

No segmento direcionado, onde as regras são definidas pelo governo, as taxas ficaram praticamente estáveis. Para pessoas físicas, permaneceram em 10,9% ao ano, com alta de 1 pp em 12 meses. No caso das empresas, a taxa encolheu 2,1 pp no mês e 0,7 pp no ano, situando-se em 11,8% ao ano.

Spread bancário e Selic influenciam custos

Considerando recursos livres e direcionados, a taxa média de juros das concessões subiu 0,1 pp em novembro e 3,5 pp em 12 meses, alcançando 31,9% ao ano. Esse movimento acompanha o ciclo de alta da Selic, atualmente em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006. O spread bancário também aumentou: 0,3 pp no mês e 2,5 pp em 12 meses, refletindo maior custo de captação, risco de inadimplência e despesas operacionais.

Concessões e estoque de crédito desaceleram

As concessões de crédito somaram R$ 637,5 bilhões em novembro, queda de 6,6% em relação a outubro. Ajustadas sazonalmente, recuaram 1,4%, com retração de 2,2% para pessoas jurídicas e de 0,6% para famílias. Mesmo assim, no comparativo anual, houve expansão de 8,9% — 9,8% para empresas e 8,3% para pessoas físicas.

O estoque total de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 6,971 trilhões, avanço de 0,9% no mês. A carteira de pessoas jurídicas subiu 0,3%, para R$ 2,606 trilhões, enquanto a de famílias cresceu 1,2%, alcançando R$ 4,364 trilhões. Em 12 meses, o estoque aumentou 9,5%, mas em ritmo menor que os 10,2% registrados até outubro.

O crédito ampliado ao setor não financeiro chegou a R$ 20,341 trilhões, alta de 1,4% no mês, impulsionada por acréscimo de 2,6% nos títulos públicos de dívida e de 0,8% nos empréstimos bancários. No ano, o avanço é de 11,2%.

Endividamento e inadimplência das famílias

A inadimplência, medida por atrasos superiores a 90 dias, permaneceu em 3,8% em novembro, sendo 4,7% no crédito a pessoas físicas e 2,3% no segmento empresarial. Já o endividamento das famílias subiu para 49,3% da renda acumulada em 12 meses em outubro, avanço de 0,2 pp no mês e 1,2 pp em um ano. Excluindo o financiamento imobiliário, a relação recua para 30,9%.

O comprometimento da renda — parcela destinada ao pagamento de dívidas — atingiu 29,4%, aumento de 0,6 pp ante setembro e 2,2 pp em 12 meses.

Com taxas em alta e concessões mais modestas, o cenário reforça o peso do crédito no orçamento familiar e ressalta a importância de planejar gastos, sobretudo em modalidades de custo elevado como o cartão de crédito rotativo.

Para saber como organizar as finanças diante de juros mais altos, confira outras dicas na seção de Economia do Diário de Finanças.

Em resumo, novembro trouxe novos aumentos nos juros do crédito pessoal e no cartão rotativo, pressionando o orçamento das famílias. Acompanhe nossas atualizações e fique atento às melhores estratégias para evitar o endividamento excessivo.

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