Juros futuros caem após inflação dos EUA e dólar recuar -

Juros futuros caem após inflação dos EUA e dólar recuar

Juros futuros encerraram a sessão desta sexta-feira (26) em leve baixa nos vencimentos curtos e intermediários, enquanto os contratos de prazo mais longo oscilaram entre a estabilidade e um pequeno avanço. A valorização do real diante do dólar e a divulgação do índice PCE dos Estados Unidos em linha com as previsões reduziram a pressão sobre a curva a termo.

Com poucos catalisadores domésticos, agentes financeiros concentraram as atenções na leitura de inflação preferida do Federal Reserve, que reforçou a percepção de que o banco central norte-americano pode iniciar cortes moderados nas taxas básicas em 2026.

Juros futuros caem após inflação dos EUA e dólar recuar

No fechamento do pregão, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 recuou de 14,90% para 14,895%. O DI de janeiro de 2027 passou de 14,065% para 14,015%, enquanto o contrato para janeiro de 2029 diminuiu de 13,255% para 13,225%. Já o vértice de janeiro de 2031 registrou leve alta, de 13,425% para 13,435%.

Dados do PCE evitam nova reprecificação nos EUA

No exterior, os Treasuries negociaram com volatilidade moderada. A T-note de 10 anos subiu de 4,168% para 4,176%, refletindo os comentários mais conservadores de dirigentes do Fed. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) avançou 0,3% em agosto, resultando em alta de 2,7% em 12 meses. Excluindo alimentos e energia, o núcleo cresceu 0,2% no mês e 2,9% no comparativo anual — exatamente o que o consenso projetava.

Para Greg Wilensky, chefe de renda fixa dos EUA na Janus Henderson, a leitura sem surpresas dá ao Fed “luz verde” para tornar a política monetária menos restritiva se o mercado de trabalho seguir enfraquecendo. Segundo ele, na reunião de outubro o comitê deverá enfatizar os riscos à atividade, mantendo a porta aberta para flexibilização no curto prazo.

Expectativas para a Selic seguem cautelosas

No Brasil, a agenda esvaziada manteve os holofotes sobre o Banco Central. Durante evento do Citi, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, reiterou o tom cauteloso do último Copom, indicando que a atividade se desloca para a desaceleração esperada, mas ainda observa pressões inflacionárias e um mercado de trabalho robusto.

Em reunião à tarde com economistas de bancos e gestoras, Guillen e o diretor de Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti, ouviram que a maior parte do mercado postergou para março ou abril de 2026 a aposta no primeiro corte da Selic. De acordo com uma fonte presente, “apenas um participante mencionou janeiro, já com viés de adiamento”.

Câmbio sustenta alívio na curva

A recuperação do real contribuiu para o recuo dos juros: a moeda norte-americana perdeu força ao longo do dia, ajudando a atrair fluxo para os títulos locais. Analistas lembram que, na véspera, a curva havia embutido prêmio adicional diante do nervosismo global, o que abriu espaço para ajustes técnicos.

Próximos passos do mercado

Sem indicadores relevantes na próxima segunda-feira, investidores monitorarão novos discursos de membros do Fed e dados de atividade americanos que possam reforçar ou contrariar as apostas de corte de juros. No front interno, a divulgação do Relatório Focus e eventuais declarações de autoridades do governo sobre a pauta fiscal permanecem no radar.

Com a combinação de inflação americana controlada e câmbio mais favorável, parte dos estrategistas vê chance de estabilidade ou novas quedas nos vértices curtos da curva, mas ressalta que o prêmio de risco externo continua elevado e pode voltar a pressionar as taxas brasileiras a qualquer sinal de surpresa negativa.

Para acompanhar outros movimentos que influenciam a renda fixa, visite a seção de Economia e fique por dentro das atualizações diárias.

Em síntese, a percepção de inflação sob controle nos Estados Unidos e a força do real permitiram um alívio pontual nos juros futuros brasileiros. Continue acompanhando o Diário de Finanças para receber análises completas e saiba como esses movimentos podem impactar seus investimentos.

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