Juros futuros recuaram pela quarta sessão consecutiva nesta segunda-feira, 26, em meio ao bom humor dos mercados globais de renda fixa e à expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira, 28.
Operadores atribuem a continuidade da retirada de prêmios na curva a termo à convergência das taxas internacionais, especialmente dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e dos Bunds alemães, que exibiram recuo consistente ao longo do dia.
Juros futuros caem pela quarta sessão antes do Copom
Ao término dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 marcou 13,68%, ante 13,695% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2028 passou de 13,005% para 12,97%, enquanto o DI para janeiro de 2029 caiu de 13,03% para 12,98%. Já o contrato para janeiro de 2031 encerrou em 13,295%, frente a 13,355% na sessão anterior, acumulando queda de 31,5 pontos-base nos últimos quatro pregões.
Influência externa sustenta movimento
Nos Estados Unidos, o T-bond de 30 anos era negociado a 4,808% perto do fechamento, queda em relação aos 4,836% do dia anterior. Na Alemanha, o rendimento do Bund de dez anos recuou de 2,908% para 2,873%. Esse ambiente permitiu novo bull flattening da curva brasileira, com maior compressão dos vértices longos em comparação aos curtos.
Apostas para o Copom
Profissionais de tesouraria veem o mercado se posicionando para um comunicado do Copom com tom mais dovish, ou seja, favorável a juros mais baixos ao longo do ano. Em dezembro, o colegiado havia projetado inflação de 3,2% no horizonte relevante, próxima da meta de 3% para 2026. Em caso de confirmação desse viés, parte dos agentes tende a pressionar a curva em busca de cortes mais rápidos e profundos.
Apesar do otimismo, analistas como Brendan McKenna, economista do Wells Fargo, projetam cautela. O banco norte-americano prevê Selic em 13,25% ao fim de 2026, acima dos cerca de 12,50% implícitos hoje na curva de juros, citando inflação próxima ao teto da meta de 4,5% e riscos políticos internos.
Impacto do reajuste da gasolina
Outro elemento monitorado foi o corte de R$ 0,14 por litro na gasolina anunciada pela Petrobras. Embora a medida tenda a reduzir preços administrados, operadores afirmam que o ajuste já estava no radar e pouco alterou as expectativas de inflação implícita derivadas da diferença entre juros nominais e reais.
“As curvas praticamente não reagiram. A queda já estava precificada”, comentou um operador que pediu anonimato.
Imagem: RDNE
Curva de juros retoma protagonismo
Após semanas de desempenho discreto frente ao câmbio e à bolsa, a renda fixa doméstica voltou aos holofotes. A melhora recente do real e do Ibovespa havia deixado os DIs em segundo plano, mas a proximidade da reunião do Banco Central reposicionou o mercado de juros como principal termômetro das expectativas econômicas para 2026 e além.
Com os olhos voltados para o comunicado do Copom, investidores calibram cenários sobre o ritmo e a extensão do ciclo de afrouxamento monetário. A leitura do mercado nesta semana deve definir os próximos ajustes de prêmio na curva, principalmente nos vencimentos mais longos.
À medida que o Banco Central sinalizar sua estratégia, a dúvida passará de “se” para “quanto” e “quão rápido” os cortes poderão avançar.
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Em resumo, a antecipação a um possível tom mais acomodatício do Copom mantém os juros futuros em queda, enquanto investidores ajustam apostas sobre o ritmo dos cortes. Siga nossas atualizações e não perca as movimentações que podem impactar sua carteira.



