Juros futuros recuam com dólar fraco e alta dos Treasuries -

Juros futuros recuam com dólar fraco e alta dos Treasuries

Juros futuros encerraram a sessão desta sexta-feira, 17 de outubro de 2025, com ajustes discretos em toda a curva, num pregão em que a falta de indicadores domésticos relevantes deixou as taxas dependentes do câmbio e do ambiente internacional.

A firme valorização do real frente ao dólar ofereceu suporte às posições prefixadas, enquanto o avanço consistente dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) exerceu pressão contrária, mantendo o mercado em compasso de espera.

Juros futuros recuam com dólar fraco e alta dos Treasuries

Ao fim dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou do ajuste anterior de 14,025% para 14,01%. O DI para janeiro de 2029 oscilou levemente, passando de 13,32% a 13,33%, e o DI para janeiro de 2031 subiu marginalmente de 13,58% para 13,605%.

Desempenho dos contratos de DI

Operadores relataram volume contido e ausência de fluxo direcional expressivo, uma vez que investidores já haviam reposicionado carteiras após dados de inflação divulgados no início da semana. Sem novidades internas, a correlação com o câmbio ganhou destaque: a força do real, que refletiu entradas pontuais de recursos e realização de lucros no exterior, ajudou a limitar o salto dos yields domésticos mesmo diante de treasuries mais altos.

No exterior, a T-note de dez anos subiu de 3,973% para 4,014%, devolvendo parte da forte queda registrada na véspera. A mudança de apetite ao risco foi estimulada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizou disposição em retomar as negociações comerciais com a China. Esse movimento reduziu a busca por proteção, impulsionando as taxas americanas e, por tabela, afetando as curvas emergentes.

Pressões no mercado de NTN-B

Se a curva nominal mostrou estabilidade, os títulos indexados ao IPCA viveram nova rodada de estresse, concentrada nos vértices intermediários e longos. A NTN-B com vencimento em agosto de 2032 avançou de 7,93% para 7,98%, retornando ao pico observado no fim de 2024, apesar da menor oferta do Tesouro Nacional após três trimestres de emissões mais robustas.

Um trader de renda fixa, que pediu anonimato, apontou a sequência de stops ao longo da curva real: “O carrego da NTN-B está machucando muito; sem confirmação de cenário benigno em política monetária, fiscal ou política, muitos preferem zerar posições”.

Gilberto Kfouri, diretor de investimentos da BNP Paribas Asset Management, acrescentou que a postura conservadora do Banco Central – com juro real corrente acima de 10% – tem elevado a inflação implícita e dificultado a convergência das taxas de NTN-B, mesmo nos prazos longos. Para ele, a preocupação primordial recai sobre a trajetória da dívida pública: “Precisamos de superávits primários que devolvam credibilidade às contas; por enquanto, não há sinais de que isso vá ocorrer”.

Cenário externo influencia curva local

Com a proximidade do período eleitoral de 2026, agentes de mercado monitoram não apenas a condução da política fiscal, mas também possíveis revisões na meta de inflação ou mudanças na direção do Copom. A combinação de real valorizado e Treasuries mais caros tende a manter a volatilidade nos vencimentos longos, sobretudo enquanto persistirem incertezas sobre a política monetária internacional.

Para a próxima semana, a agenda inclui a divulgação da ata do Copom e dados de atividade nos Estados Unidos, fatores que podem redefinir o rumo das apostas sobre o juro terminal no Brasil e nos EUA. Até lá, a expectativa é de liquidez reduzida e oscilações contidas, encadeando o mesmo padrão observado hoje.

No fechamento, analistas destacaram que o equilíbrio entre forças internas e externas deverá continuar guiando os juros futuros nos próximos pregões, a menos que surjam novos choques de inflação ou sinalizações fiscais mais contundentes.

Para acompanhar outros movimentos que impactam diretamente as taxas de juros e a economia, visite a seção de Economia do Diário de Finanças, onde publicamos análises atualizadas sobre política monetária e mercado de capitais.

Em resumo, a sessão desta sexta-feira evidenciou que, mesmo sem dados locais, o câmbio forte e a alta dos Treasuries seguem como balizadores da curva doméstica. Continue acompanhando nossas atualizações e mantenha-se informado sobre os próximos eventos que podem mexer com seus investimentos.

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