Juros futuros disparam após dados reforçarem economia -

Juros futuros disparam após dados reforçarem economia

Juros futuros saltaram na sessão desta sexta-feira, 16, à medida que indicadores domésticos acima do previsto reforçaram a noção de atividade econômica resiliente mesmo com a Selic no maior nível em duas décadas.

A alta de 0,7% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em novembro, somada ao avanço de 1% nas vendas do varejo restrito no mesmo mês, levou participantes do mercado a reavaliar a trajetória de afrouxamento monetário esperada para 2024. O movimento foi intensificado pela elevação dos rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos, que reduziu o apetite de estrangeiros por títulos locais.

Juros futuros disparam após dados reforçarem economia

No encerramento dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saltou do ajuste anterior de 13,75% para 13,805%. O DI de janeiro de 2028 passou de 13,085% para 13,19%, enquanto o de janeiro de 2029 foi de 13,075% a 13,195%. O vértice de janeiro de 2031 registrou a maior oscilação, de 13,37% para 13,495%.

Estrangeiros focam nos vértices longos

A inclinação da curva, com maiores avanços nos prazos longos, aponta a presença relevante de investidores estrangeiros. Diferentemente dos aplicadores locais, que costumam operar nos trechos curtos, os não residentes preferem os vértices distantes para evitar a volatilidade imediata. Segundo operadores, parte desse fluxo externo migrou para posições tomadas — que lucram com a alta das taxas — após os últimos indicadores de atividade superarem as expectativas.

Resiliência econômica posterga cortes da Selic

Desde o fim de 2023, a aposta dominante era de desaceleração mais firme da economia, cenário que garantiria espaço para cortes graduais da Selic já no primeiro trimestre. Contudo, dados robustos de emprego, massa salarial e agora de varejo e IBC-Br adiaram essa leitura. Hoje, os derivativos indicam taxa básica de 12,70% ao fim de 2026, acima da mediana de 12,25% publicada no Relatório Focus.

Na mesma direção, economistas que se reuniram com diretores do Banco Central relatam maior cautela da autoridade monetária. A avaliação corrente é de que o ambiente de desinflação ainda não está consolidado, o que pode limitar a extensão do ciclo de afrouxamento. No mercado de opções digitais atreladas ao Copom, as chances de manutenção da Selic, corte de 0,25 ponto e redução de 0,50 ponto em março estão praticamente empatadas, entre 31% e 32%.

Descolamento entre juros, câmbio e bolsa

A reprecificação observada na curva não encontrou eco no câmbio nem na bolsa. Ao longo da semana, as taxas de longuíssimo prazo subiram até 20 pontos-base, mas o dólar comercial valorizou apenas 0,14% e o Ibovespa acumulou ganho de 0,88%, mesmo após ajuste negativo nesta sexta-feira. Para operadores, esse descompasso evidencia que a pressão vem prioritariamente do mercado de renda fixa.

Um gestor observa que “a economia dá sinais de desaceleração, mas não cede”, o que dificulta projetar cortes de juros antes de evidências mais consistentes de arrefecimento da demanda. Por ora, prevalece a percepção de que a política monetária seguirá contracionista por mais tempo do que se supunha há poucas semanas.

O cenário externo também contribui para o viés de alta. O rendimento dos Treasuries de dez anos voltou a superar 4% durante a sessão, reduzindo a atratividade relativa dos ativos brasileiros e favorecendo a retirada de capital estrangeiro da renda fixa local.

Com a combinação de indicadores domésticos fortes e ambiente internacional menos favorável, analistas passam a rever projeções. Alguns bancos já adiam o início do ciclo de corte da Selic para o segundo semestre, enquanto outros reduzem o ritmo estimado de queda para não comprometer o processo de desinflação.

Embora a incerteza persista, o consenso no pregão de hoje foi claro: a resistência da atividade econômica mantém juros futuros pressionados e limita, no curto prazo, as apostas em cortes agressivos da taxa básica.

Para acompanhar outros conteúdos sobre mercado e finanças, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.

Em resumo, os últimos dados reforçaram a percepção de economia firme e provocaram forte alta na curva de juros futuros, reavaliando expectativas sobre o início e a intensidade dos cortes da Selic. Fique atento às próximas divulgações e confira nossos artigos para entender como esses movimentos podem afetar seus investimentos.

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