Juros futuros disparam com pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e atingem o maior patamar em aproximadamente um mês, após o mercado reagir ao anúncio do senador do PL-RJ como nome da oposição para disputar a Presidência em 2026.
O movimento de aversão a risco dominou a sessão desta sexta-feira, 5 de dezembro, levando a uma onda de vendas de ativos domésticos e anulando o rali observado nas últimas semanas. Operadores afirmam que a escolha surpreendeu, pois a expectativa predominante era pela candidatura do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Juros futuros disparam com pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
Ao término dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saltou de 13,545 % para 13,79 %, o nível mais alto desde 10 de novembro. No prazo de janeiro de 2029, a taxa avançou de 12,645 % para 13,195 %, enquanto o DI de janeiro de 2031 subiu de 12,87 % para 13,445 %. Para os dois vencimentos mais longos, é o maior fechamento desde 30 de outubro.
Mercado vê maior chance de reeleição de Lula
Analistas interpretam que a indicação de Flávio Bolsonaro eleva a probabilidade de reeleição de Lula e, portanto, reduz perspectivas de mudança na política econômica em 2027. No site de apostas Polymarket, a probabilidade de vitória de Tarcísio despencou de 36 % para 21 %. Já o filho do ex-presidente aparece com 13 %, enquanto Lula lidera com 51 %.
Dólar supera R$ 5,40 e pressiona inflação
A volatilidade eleitoral levou a divisa norte-americana acima de R$ 5,40. Caso o patamar se mantenha, economistas projetam impacto negativo sobre a inflação, podendo atrasar o início do ciclo de cortes da Selic. No mercado de opções digitais de Copom, a chance de manutenção da taxa básica em 15 % na reunião de janeiro avançou de 34,5 % para 54 %. Para março, a probabilidade de estabilidade subiu de 15,5 % para 27 %.
Taxas de NTN-Bs também reagem
O estresse atingiu ainda os títulos públicos atrelados à inflação. A taxa da NTN-B com vencimento em agosto de 2028 passou de 7,98 % para 8,18 %. No extremo longo, o papel para agosto de 2050 viu seu juro real subir de 6,92 % para 7,10 %.
Imagem: Divulgação
Risco eleitoral amplia cautela
Para Ricardo Pompermaier, estrategista-chefe da Davos Investimentos, o mercado teme que Flávio Bolsonaro enfrente rejeição elevada e dificuldade para ampliar apoio além da base de direita, aumentando a polarização e a incerteza fiscal. Esse ambiente, avalia o executivo, leva investidores a adotar posição mais defensiva, refletida no avanço das taxas futuras.
Com os contratos de juros devolvendo os ganhos recentes e o câmbio pressionado, agentes financeiros reforçam a atenção às próximas sinalizações do Comitê de Política Monetária e à evolução do cenário eleitoral nos primeiros meses de 2026.
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