Juros de longo prazo subiram no mercado futuro nesta quinta-feira (16) depois que o Tesouro Nacional aumentou a oferta de títulos prefixados em seu leilão semanal, movimento que adicionou pressão à ponta longa da curva.
Sem outros catalisadores locais relevantes, a renda fixa doméstica ignorou tanto a valorização do real frente ao dólar quanto a queda expressiva dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos.
Juros de longo prazo avançam após leilão maior do Tesouro
No fim do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou estável a 14,03%. O DI para janeiro de 2029 passou de 13,30% para 13,33%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 avançou de 13,535% para 13,595%, indicando inclinação na curva a termo.
O movimento foi provocado pelo leilão realizado pelo Tesouro, que ofertou 21,3 milhões de títulos prefixados — volume superior aos 12,3 milhões e 13,5 milhões distribuídos nas duas primeiras semanas do mês. Segundo um trader de renda fixa, o mercado esperava lotes ainda maiores, o que limitou a reação inicial; posteriormente, porém, as taxas voltaram a subir para absorver o risco adicional da emissão.
Apesar do avanço dos DIs de prazo mais longo, a sessão foi marcada por liquidez reduzida e leitura predominantemente técnica. Profissionais ouvidos sob condição de anonimato ressaltaram que, diante do recuo dos juros globais, seria natural observar queda também nos contratos locais, o que não ocorreu.
Nos Estados Unidos, o rendimento da T-note de dez anos caiu de 4,033% para 3,973% após investidores buscarem proteção em meio a preocupações com o mercado de crédito corporativo. Mesmo assim, o descolamento entre as curvas brasileira e americana permaneceu.
No segmento de títulos indexados à inflação, o comportamento foi oposto. As Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) mantiveram o processo de redução de prêmios iniciado no começo da semana. O juro real do papel com vencimento em agosto de 2026 recuou de 10,22% para 10,14%, enquanto a NTN-B para maio de 2027 passou de 8,91% para 8,89%.
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Para gestores, a decomposição dos prêmios reflete ajustes na expectativa de inflação implícita nos vértices de curto prazo, além da busca por proteção em ativos atrelados ao IPCA.
No câmbio, o real se fortaleceu ante o dólar, mas a valorização da moeda brasileira não foi suficiente para alterar a dinâmica de juros. Profissionais lembram que, nas duas sessões anteriores, a curva prefixada exibiu comportamento inverso: queda acentuada de taxas sem justificativa macroeconômica clara, seguida pelo movimento de alta observado hoje.
Analistas destacam que a volatilidade recente pode persistir enquanto agentes calibram expectativas quanto ao ritmo dos leilões do Tesouro e à evolução das condições de crédito externas.
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Em resumo, a oferta maior de títulos prefixados elevou os juros de longo prazo mesmo em um dia de alívio nos mercados internacionais. Continue acompanhando o Diário de Finanças para receber atualizações diárias e entender os próximos movimentos da curva de juros.



