Lavagem de gado é o termo utilizado pelo Greenpeace para descrever o esquema que levou bois criados ilegalmente na Terra Indígena (TI) Pequizal do Naruvôtu, em Mato Grosso, a frigoríficos que vendem carne para o Brasil e para mercados como União Europeia, Ásia e Américas.
A investigação da ONG, divulgada às vésperas da COP30, aponta que o gado oriundo de área desmatada dentro da TI era transferido para fazendas regulares antes de chegar às plantas da JBS em Água Boa (MT) e Barra do Garças (MT), burlando controles ambientais.
Lavagem de gado abastece mercado interno e externo, diz ONG
Segundo o relatório, entre janeiro de 2018 e janeiro de 2025, 1.238 animais saíram da Fazenda Três Coqueiros II — embargada pelo Ibama — para a vizinha Fazenda Itapirana, a menos de 2 km da área indígena. No total, de 2018 a fevereiro de 2025, 2.856 bois foram encaminhados a unidades da JBS.
Entenda o mecanismo denunciado
A prática consiste em criar gado em áreas invadidas, transferi-lo para propriedades sem restrições legais e, assim, “lavar” a origem dos animais. Sem rastreamento de fornecedores indiretos, a carne com irregularidades mistura-se à produção legal e chega a supermercados no país e no exterior.
Contexto da Terra Indígena
A TI Pequizal do Naruvôtu foi homologada em 2016, dez anos após reconhecimento pela Funai. Mesmo após a decisão, produtores rurais permaneceram no território. Em maio de 2025, o Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da demarcação, reforçando a proibição de atividades agropecuárias na área.
Multas e responsabilizações
O relatório cita o pecuarista Mauro Fernando Schaedler, dono da Três Coqueiros II, como símbolo das irregularidades: suas propriedades acumulam R$ 3,1 milhões em multas ambientais. A ONG afirma que o caso expõe falhas nos protocolos de monitoramento atualmente adotados pelo setor.
Posicionamento da JBS
Em nota, a JBS declarou que o Greenpeace não comprovou o trânsito dos animais da fazenda embargada para suas plantas. Mesmo assim, bloqueou preventivamente a Fazenda Itapirana e solicitou esclarecimentos. A companhia diz monitorar 100% dos fornecedores por imagens de satélite e, desde 2021, operar a Plataforma Pecuária Transparente, baseada em tecnologia blockchain.

Imagem: Tuane Fernandes
Cobrança por mudanças antes da COP30
Para Cristiane Mazzetti, coordenadora da Frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, o país precisa concluir demarcações, fortalecer a rastreabilidade do rebanho e responsabilizar empresas ligadas ao desmatamento. “Sem controle de fornecedores diretos e indiretos, toda a cadeia é contaminada”, afirma.
A ONG defende que a pressão internacional e a proximidade da COP30 possam acelerar a adoção de regras mais rígidas, tanto para o rastreamento de gado quanto para a proteção de terras indígenas.
O caso reforça o debate sobre transparência no agronegócio brasileiro e seus impactos ambientais, tema central na agenda climática global.
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Este conteúdo detalhou como a lavagem de gado ameaça a rastreabilidade da carne brasileira. Continue informado e exija produtos de origem responsável.



