Leo McCarey Oscar virou um caso emblemático na história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em 1937, o cineasta subiu ao palco para receber a estatueta de Melhor Diretor por “Cupido é Moleque Teimoso” (“The Awful Truth”), mas o agradecimento veio acompanhado de uma surpreendente reclamação: o prêmio, segundo ele, tinha sido entregue ao filme errado.
Durante a cerimônia, McCarey declarou que sua verdadeira realização daquele ano era “A Cruz dos Anos” (“Make Way for Tomorrow”), drama que abordava velhice, solidão e amor. A obra, porém, não recebeu qualquer indicação ao Oscar.
Leo McCarey criticou seu Oscar: prêmio ao filme errado
O episódio expôs, para parte da crítica, uma tendência da Academia a priorizar produções vistas como relevantes naquele momento, em vez de reconhecer filmes destinados a ganhar importância com o passar do tempo. “Cupido é Moleque Teimoso” era uma comédia romântica de sucesso comercial, enquanto “A Cruz dos Anos” trazia tom mais sóbrio e temas sociais sensíveis, inspirados na vida dos pais do diretor.
Ao agradecer pelo troféu, McCarey disse: “Obrigado, mas vocês me deram isso pelo filme errado”. A frase virou referência sempre que se discute premiações consideradas tardias ou equivocadas. Décadas depois, “A Cruz dos Anos” é apontado por historiadores como uma das grandes obras do cinema dos anos 30, influenciando diretores como Orson Welles e Yasujirō Ozu.
Casos semelhantes continuaram ocorrendo nas décadas seguintes, reforçando a crítica de que o Oscar, por vezes, reconhece carreiras ou acertos de percurso, e não necessariamente o trabalho mais relevante do ano. O relato de McCarey, um dos poucos a manifestar descontentamento publicamente na própria cerimônia, segue como exemplo clássico dessa percepção.
O episódio também provoca reflexão sobre como dramas realistas, especialmente aqueles que tratam de envelhecimento e laços familiares, podem ser subestimados quando colocados lado a lado com produções mais leves ou populares em seu lançamento.
Imagem: Divulgação
Hoje, “A Cruz dos Anos” integra listas de filmes essenciais do período pré-Segunda Guerra Mundial, enquanto “Cupido é Moleque Teimoso” é lembrado principalmente pela polêmica envolvendo a premiação. A fala de McCarey permanece atual ao questionar critérios de reconhecimento artístico e ao relembrar que o tempo, muitas vezes, é o verdadeiro juiz da relevância cultural.
Para mais conteúdos sobre decisões históricas que impactam diferentes setores, confira a seção de Economia do Diário de Finanças, onde analisamos como escolhas do passado moldam tendências no presente.
Resumo: em 1937, Leo McCarey recebeu o Oscar de Melhor Diretor por “Cupido é Moleque Teimoso”, mas afirmou que o prêmio deveria ter ido a “A Cruz dos Anos”. O caso continua simbolizando discussões sobre escolhas controversas da Academia. Continue acompanhando nossas notícias e compartilhe este artigo se achou a história intrigante.


