O uso do cartão de crédito deixou de ser visto como vilão absoluto das finanças domésticas no Brasil. Pesquisa de 2024 realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) em parceria com o Instituto Datafolha aponta que 87% dos consumidores pagam a fatura integral no vencimento, escapando do crédito rotativo, e 80% consideram o plástico um aliado na organização do orçamento.
Limite compatível com o salário
Apesar dos números favoráveis, especialistas em educação financeira alertam que o controle continua essencial. O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, recomenda que o limite do cartão seja fixado em, no máximo, 30% da renda mensal. Quem depende de um único salário deve, segundo ele, concentrar-se em apenas um cartão.
Domingos explica que o cartão representa uma compra a prazo, não uma extensão de renda. Por isso, o consumidor precisa avaliar todos os compromissos já assumidos antes de usar o limite disponível, mesmo que alto.
Cautela com parcelamentos
Compras parceladas sem juros podem comprometer o orçamento futuro. A Abefin orienta que, antes de dividir o pagamento, o consumidor considere o impacto das parcelas somadas às despesas já existentes. O acúmulo de prestações dificulta a visualização real dos gastos mensais e pode levar à perda de controle financeiro.
Rotativo: juros de 455,1% ao ano
Dados do Banco Central mostram que, em maio, o juro médio do crédito rotativo alcançou 455,1% ao ano, com inadimplência de 54%. A recomendação de Domingos é evitar pagar o valor mínimo da fatura. Se não for possível quitar o montante total, a saída deve ser buscar linhas de crédito mais baratas, com taxas inferiores a 2,5% ao mês, em vez de recorrer a cheque especial ou empréstimos pessoais.
Organização e benefícios
Sete em cada dez entrevistados pela Abecs afirmam que o cartão ajuda a monitorar despesas, pois todas as transações ficam concentradas em um único extrato. Programas de milhas e cashback atraem 76% dos usuários, mas exigem atenção a prazos de validade para não perder pontos.

Imagem: terra.com.br
Cartão internacional exige atenção redobrada
Compras no exterior são convertidas pela cotação da data de liquidação e incluem tarifa de conversão, além do IOF de até 3,5%. Especialistas aconselham que cartões internacionais só sejam usados por quem já domina seu orçamento, evitando surpresas na fatura.
Com medidas simples — limite adequado, controle de parcelamentos, fuga do rotativo e acompanhamento das transações — o cartão de crédito pode funcionar como aliado na gestão financeira, sem se transformar em fonte de dor de cabeça.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre controle de gastos, confira outras dicas na seção Cartão de Crédito do Diário de Finanças.
Com informações de Terra



