Liquidação extrajudicial do Banco Master foi determinada na manhã desta terça-feira (18) pelo Banco Central do Brasil (BC), após o agravamento da crise de liquidez e de credibilidade da instituição financeira.
Quase simultaneamente, a Polícia Federal (PF) prendeu o empresário Daniel Vorcaro, apontado como principal acionista do banco. A prisão ocorreu no âmbito de inquérito que apura supostas irregularidades na gestão da instituição.
Liquidação extrajudicial do Banco Master é decretada pelo BC
A decisão do BC segue o rito previsto na Lei nº 6.024/74, que regula a intervenção e a liquidação de instituições financeiras. Com a medida, administradores e acionistas perdem o poder de gestão, enquanto um liquidante nomeado pela autarquia assume o comando para apurar o patrimônio, pagar credores e preservar os direitos dos depositantes.
Segundo o Banco Central, o FGC iniciará o ressarcimento dos correntistas em até 30 dias. O limite de garantia mantém-se em R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira.
Crise se aprofunda após tentativa de venda
A liquidação extrajudicial ocorre poucos dias depois de um grupo liderado pela holding Fictor apresentar proposta para comprar o Banco Master. A oferta não avançou, e o BC concluiu que a deterioração dos indicadores de liquidez inviabilizava a continuidade das operações.
Em comunicado, a autoridade monetária informou que “a medida foi necessária para proteger o sistema financeiro e os depositantes, diante do comprometimento da situação econômico-financeira do banco”.
Prisão de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal confirmou que a detenção de Daniel Vorcaro decorre de desdobramentos de investigação iniciada em 2023, focada em contratos de leasing da companhia aérea TAP para 53 aeronaves Airbus, operação na qual o empresário teria atuado como intermediário financeiro.
Vorcaro foi conduzido para prestar depoimento em São Paulo. A PF não detalhou as acusações, mas informou que a apuração inclui indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e possível uso irregular de recursos do Banco Master.
Repercussão no mercado e no Congresso
No Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados declarou que pretende abrir, ainda nesta tarde, discussões sobre mecanismos de reforço à supervisão bancária. Parlamentares cogitam acelerar projetos que ampliem poderes do BC em casos de risco sistêmico.

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Analistas ouvidos por corretoras destacam que a liquidação do Master tem impacto limitado sobre o sistema, mas reforça o debate sobre governança em bancos de médio porte. “O FGC deve absorver a maior parte do custo para proteger os depositantes”, resumiu nota de uma gestora.
Nova regra para o Sistema de Pagamentos Instantâneos
Também nesta terça-feira, o BC publicou norma obrigando participantes diretos do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) a adotar mecanismos de identificação em tempo real baseados em padrões históricos e comportamentais. A exigência, que entra em vigor em 1º de março, pretende reduzir fraudes e fortalecer a segurança das transações eletrônicas.
Próximos passos
O liquidante designado pelo BC deverá apresentar um plano de trabalho nas próximas semanas, mapeando ativos, passivos e eventuais reservas do Banco Master. Credores serão comunicados sobre prazos e procedimentos para habilitação de créditos.
Enquanto isso, correntistas podem consultar o site do FGC para verificar valores cobertos pela garantia. O Banco Central orienta que os canais oficiais sejam utilizados para evitar golpes.
A liquidação extrajudicial do Banco Master e a prisão de Daniel Vorcaro reforçam a atenção do mercado para a saúde financeira das instituições de médio porte. Novas atualizações devem ser divulgadas pelo BC e pela PF ao longo dos próximos dias.
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Resumo: o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master diante de crise de liquidez, e a PF prendeu o acionista Daniel Vorcaro. Fique atento às próximas etapas e acompanhe nossas atualizações.



