Liquidação do Will Bank foi decretada pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira, 21 de janeiro, interrompendo definitivamente as operações do banco digital controlado pelo grupo Master.
A decisão foi formalizada em ato assinado pelo presidente interino da autarquia, Gabriel Galípolo, depois de o Will Bank, sob administração especial temporária desde 18 de novembro, deixar de honrar pagamentos a integrantes da cadeia de cartões de crédito, incluindo a bandeira Mastercard.
Liquidação do Will Bank pelo Banco Central é oficializada
Segundo o BC, a medida tornou-se inevitável diante do “comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master”, instituição-mãe também em processo de liquidação extrajudicial.
Falhas nos pagamentos precipitam a intervenção
O Will Bank permaneceu preservado quando, em 18 de novembro, o regulador liquidou o Banco Master. À época, havia expectativa de venda da fintech a investidores, hipótese que poderia reduzir perdas ao sistema e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O cenário mudou após o descumprimento, confirmado em 19 de janeiro, da grade de pagamentos com a Mastercard, que bloqueou a participação da instituição no arranjo.
Em resposta, a bandeira de cartões executou garantias ligadas às dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
Impacto no sistema financeiro e no FGC
Com ativos de R$ 14,4 bilhões ao fim do primeiro semestre de 2025, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões, o Will Bank detinha 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional. O conglomerado Master, classificado como de crédito diversificado e porte pequeno (segmento S3), respondia por montante entre 0,1% e 1% do PIB.
A ausência de um comprador tende a elevar as perdas do FGC, que já prepara a maior indenização de sua história: até R$ 250 mil para cada um dos 800 mil investidores em CDBs e outros papéis emitidos pelo grupo, totalizando R$ 40,6 bilhões. O Will encerrou setembro com R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não registrava valores em contas de depósitos à vista.
Consequências para administradores e controladores
Com a liquidação, todos os bens dos ex-administradores e dos controladores ficam indisponíveis. O BC ressaltou que prossegue apurando responsabilidades; eventuais irregularidades poderão resultar em sanções administrativas e comunicações a outras autoridades competentes.
Imagem: Divulgação
Operação Compliance Zero mantém pressão sobre o grupo
Na semana anterior à liquidação, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, voltada a fundos de investimento que teriam inflado artificialmente o patrimônio do Banco Master. Foram cumpridos mandados em endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do grupo, a familiares e a empresários como Nelson Tanure e João Carlos Mansur.
Vorcaro fora preso na primeira fase da investigação, em novembro, acusado de criar carteiras falsas de crédito para turbinar balanços e, posteriormente, vender o banco ao BRB. Ele foi liberado após menos de duas semanas, mas permanece monitorado por tornozeleira eletrônica.
Próximos passos e prazos legais
O termo legal da liquidação extrajudicial do Will Bank foi fixado em 24 de novembro de 2025. Até lá, o liquidante designado deverá analisar ativos, passivos e eventuais créditos a receber, com foco na satisfação dos credores conforme a ordem legal de preferência.
Enquanto isso, correntistas, investidores e parceiros comerciais aguardam orientações sobre procedimentos de ressarcimento. A liquidação encerra um período de pouco mais de dois meses em que a fintech operou sob tutela direta da autarquia, mas sem êxito em encontrar solução de mercado.
Para saber mais sobre os desdobramentos no mercado financeiro e acompanhar outras intervenções recentes, confira a seção de Economia do Diário de Finanças.
Em resumo, a liquidação do Will Bank reforça a atuação do Banco Central na contenção de riscos sistêmicos e acende alerta para investidores sobre a saúde financeira de bancos digitais emergentes. Continue acompanhando nossas atualizações e receba em primeira mão as notícias que impactam seu bolso.



