Liquidação do Will Bank: destino dos 12 milhões de clientes -

Liquidação do Will Bank: destino dos 12 milhões de clientes

Liquidação do Will Bank mobiliza 12 milhões de correntistas após o Banco Central decretar, em 21 de fevereiro, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master.

A fintech, que movimentou cerca de R$ 7,5 bilhões em 2023 e mantém aproximadamente 1,1 mil funcionários, agora passa por um processo que envolve cancelamento de cartões, bloqueio de operações e acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Liquidação do Will Bank: destino dos 12 milhões de clientes

Cartões são cancelados imediatamente

Na véspera da decisão do BC, a Mastercard já havia suspendido os cartões emitidos pelo Will Bank. Com a liquidação confirmada, todos os plásticos foram cancelados e deixaram de funcionar em qualquer estabelecimento, físico ou virtual.

FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ

Os valores investidos em produtos como CDBs seguem protegidos pelo FGC até o limite de R$ 250 mil por titular. O mecanismo, o mesmo ativado na liquidação do Banco Master, poderá adicionar até R$ 6,5 bilhões em resgates referentes aos depósitos a prazo da fintech, conforme projeção do IFData do Banco Central.

Ainda não há estimativa exata de quanto o FGC desembolsará, pois o cálculo depende da soma individual de cada cliente dentro do teto de garantia. A entidade foi procurada, mas não divulgou números preliminares.

Valores acima do limite podem demorar

Paulo Feldmann, professor da FIA Business School, exemplifica: quem manteve R$ 300 mil em CDBs receberá R$ 250 mil primeiro; os R$ 50 mil restantes dependem da conclusão do processo de liquidação e podem levar mais tempo.

Especialistas alertam para riscos de concentração

Para Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimento, confiar unicamente na proteção do FGC é arriscado. Ele lembra que o resgate do Banco Master já representa o maior da história do fundo, com previsão de R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores, o que reforça a necessidade de diversificação.

“A liquidação do Master consumirá 40% dos recursos do FGC, deixando o fundo mais vulnerável. Antes de aplicar, o investidor deve avaliar retorno, liquidez e risco, sem depender apenas da garantia”, frisa Costa.

Foco em classes C, D e E aumenta preocupação

O Will Bank concentrava esforços em clientes de menor renda, das classes C, D e E. Feldmann observa que parte desse público reúne economias familiares que podem ultrapassar o teto de R$ 250 mil. “Nesses casos, a totalidade das reservas fica exposta a prazos maiores até que a massa falida seja liquidada”, afirma.

Próximos passos para os correntistas

1. Aguardar comunicado oficial do liquidante nomeado pelo Banco Central com instruções sobre pedidos de ressarcimento.
2. Conferir se o saldo total investido em produtos cobertos pelo FGC não ultrapassa o limite de R$ 250 mil.
3. Organizar documentação — contratos de investimento, extratos e comprovantes — para acelerar a habilitação junto ao FGC.
4. Avaliar alternativas de alocação futura, distribuindo recursos entre instituições distintas ou produtos fora do escopo de garantia.

Os reembolsos do FGC devem ocorrer em lotes após a verificação de cada conta, procedimento que historicamente leva algumas semanas, mas pode se estender conforme a complexidade dos ativos e o volume de clientes.

Embora o prazo de pagamento para valores até R$ 250 mil costume ser curto, especialistas recomendam que os investidores mantenham reservas de emergência em instituições sólidas e diversifiquem aplicações para mitigar riscos sistêmicos.

Para acompanhar novas etapas da liquidação e orientações adicionais, os clientes podem consultar o site do Banco Central e as publicações oficiais do liquidante, que disponibilizarão cronogramas e canais de atendimento.

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Em resumo, a liquidação do Will Bank aciona a cobertura do FGC para até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, cancela todos os cartões de crédito e coloca sob análise um volume de R$ 7,5 bilhões em operações. Acompanhe as atualizações e diversifique sua carteira para reduzir riscos futuros.

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