Lula critica na ONU a classificação de Cuba como terrorista durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025, em Nova York. O presidente brasileiro foi ovacionado ao defender que a ilha caribenha seja retirada da lista norte-americana de países patrocinadores do terrorismo.
Em seu discurso de abertura, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo”, argumentando que a medida pune a população cubana com sanções comerciais adicionais. A fala integrou uma série de críticas a intervenções internacionais que, segundo ele, geram “graves consequências humanitárias”.
Lula critica na ONU a classificação de Cuba como terrorista
A designação dos Estados Unidos impõe restrições financeiras e limita o comércio com nações inseridas na lista. O status de Cuba tem sido alvo de idas e vindas: em 2015, Barack Obama retirou o país; em 2021, nos últimos dias do primeiro mandato, Donald Trump recolocou a ilha; em 2025, Joe Biden anunciou nova retirada, revertida novamente por Trump ao reassumir a Casa Branca. Washington justifica a medida alegando que Havana abriga fugitivos da Justiça norte-americana e se opõe a políticas antiterroristas lideradas pelos EUA.
Ao condenar a classificação, Lula reforçou sua defesa do multilateralismo e declarou que “bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática”, posicionando a Conferência do Clima de 2030 (COP30) como “a COP da verdade”. Ele também listou temas como combate à fome, desigualdade social e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU.
A repercussão imediata no plenário foi positiva: representantes de vários países se levantaram para aplaudir o chefe de Estado brasileiro. A manifestação de apoio ecoou a crítica do governo brasileiro ao embargo econômico que vigora sobre Cuba desde 1962 e às sanções derivadas da classificação de “país patrocinador do terrorismo”.
Sanções e impactos econômicos
Estar na lista americana impede acesso a linhas de crédito internacionais, encarece empréstimos e desencoraja investimentos. Para Cuba, que já enfrenta embargos unilaterais, as restrições adicionais afetam setores como saúde e energia. Lula argumentou que tais punições “agravam a fome e a pobreza”, contrariando o propósito declarado dos direitos humanos.
Temas centrais do discurso brasileiro
A fala de Lula abordou ainda:
- Democracia e soberania: “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.”
- Judiciário e ingerência externa: “Não há pacificação com impunidade.”
- Autoritarismo: denúncia de “forças antidemocráticas” que ameaçam instituições.
- Regulação digital: defesa de regras para proteger usuários vulneráveis.
- Conflitos internacionais: críticas à guerra na Ucrânia e ao “genocídio em Gaza”.
Comitiva reduzida em 2025
Esta é a décima participação de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. A comitiva deste ano soma cerca de 50 integrantes, metade do contingente estimado em 2024. Apenas seis ministros viajaram: Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Camilo Santana (Educação), Márcia Lopes (Mulheres), Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) e Celso Amorim (assessoria especial).

Imagem: Divulgação
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, integra o grupo, enquanto o governador do Pará, Helder Barbalho, já se encontrava em Nova York para eventos da Semana do Clima. Participam ainda a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e o presidente do Banco da Amazônia, Luiz Claudio Lessa, que cumprem agenda com investidores.
Reações nos Estados Unidos
Apesar dos aplausos no plenário, autoridades norte-americanas mantêm a posição de que Cuba não coopera com iniciativas antiterrorismo. Analistas em Washington estimam que a discussão sobre a lista de países patrocinadores do terrorismo deverá se intensificar, especialmente com a proximidade da eleição presidencial de 2026.
No entanto, diplomatas brasileiros avaliam que o discurso de Lula reforça o papel do Brasil como mediador em debates sobre bloqueios econômicos e crises humanitárias. A insistência na retirada de sanções contra Cuba foi classificada por membros do Itamaraty como “coerente” com a política externa de priorizar o Sul Global.
Ao encerrar sua intervenção, o presidente convidou chefes de Estado a comparecer à COP30, em Belém, e reiterou que “o século 21 será cada vez mais multipolar” — frase que sintetiza sua defesa de um sistema internacional menos concentrado em poucas potências.
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Resumo: Lula foi aplaudido na ONU ao exigir a retirada de Cuba da lista de países terroristas, destacando sanções e impactos humanitários. Acompanhe nossas próximas atualizações e compartilhe este artigo se achar relevante.



