Lula na COP30: discurso defende ação climática global -

Lula na COP30: discurso defende ação climática global

Lula na COP30 marcou o início da Cúpula de Líderes nesta quinta-feira (6/11/2025), em Belém (PA), com um discurso que cobrou coragem política e recursos para conter o aquecimento global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que, pela primeira vez, a Conferência das Partes ocorre no coração da Amazônia, bioma que simboliza a causa ambiental e acolhe milhões de habitantes, centenas de povos indígenas e a maior bacia hidrográfica do planeta.

Lula na COP30: discurso defende ação climática global

Ao saudar chefes de Estado e delegações, Lula frisou que a 30ª edição da Conferência deve ser “a COP da verdade” diante dos alertas científicos. Segundo ele, 2024 foi o primeiro ano em que a temperatura média do planeta superou 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, e projeções apontam aquecimento de 2,5 °C até 2100 caso nada mude.

Principais mensagens do presidente

Urgência científica: citando o Mapa do Caminho Baku-Belém, Lula relatou a estimativa de até 250 mil mortes anuais e possível encolhimento de 30% do PIB global se a crise climática avançar.

Financiamento climático: o presidente ressaltou a necessidade de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano, meta reconhecida na COP29, e reforçou que a justiça climática passa por recursos, tecnologia e capacitação.

Desmatamento zero: Lula defendeu “mapas do caminho” para reverter a perda florestal, superar a dependência de combustíveis fósseis e acelerar a transição energética.

Multilateralismo fortalecido: ele citou os 80 anos da ONU e os dez anos do Acordo de Paris como marcos para reafirmar o protagonismo de cada país na definição de metas, mas alertou para a “lógica de soma zero” que ainda domina a geopolítica.

Dois descompassos a superar

Lula apontou a “desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real”, lembrando que populações sentem a poluição e as enchentes sem necessariamente entender métricas de carbono. O segundo descompasso, segundo ele, é o choque entre a urgência climática e um cenário internacional marcado por extremismos, conflitos armados e disputas geopolíticas que desviam atenção e recursos.

Papel do Brasil no processo

O chefe do Executivo brasileiro afirmou que a COP30 será o ponto culminante das presidências brasileiras no G20 e no BRICS. No G20, Brasil reuniu ministros de Meio Ambiente e Finanças das maiores economias, responsáveis por cerca de 80% das emissões globais. No BRICS, o país reforçou o debate sobre financiamento e transferência de tecnologias.

Homenagem aos trabalhadores e aos povos amazônidas

Encerrando seu pronunciamento, Lula prestou homenagem às equipes que ergueram a infraestrutura da COP30 em Belém e destacou a importância de levar o evento ao bioma amazônico. Comparou a Amazônia à “Bíblia” ambiental, afirmando que cada visitante interpretará a região à sua maneira ao ver de perto sua natureza, cultura e culinária.

Próximos passos

Com o discurso de abertura, delegações negociadoras iniciam duas semanas de debates para consolidar metas de redução de emissões, definir mecanismos de financiamento e alinhar estratégias de preservação de florestas tropicais. As diretrizes apresentadas por Lula servirão de referência para os grupos de trabalho temáticos.

Nos próximos dias, líderes devem discutir como transformar as convergências já conhecidas — transição energética e proteção da natureza — em compromissos verificáveis, mantendo a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento em 1,5 °C.

Ao citar a crença Yanomami de que cabe aos seres humanos sustentar o céu para que ele não caia, o presidente concluiu que a COP30 deve “empurrar o céu para cima”, ampliando a visão de um desenvolvimento justo, resiliente e de baixo carbono.

Para acompanhar outras iniciativas que envolvem grandes acordos internacionais e impacto econômico, acesse a editoria de Economia e mantenha-se informado.

Resumo: o discurso de Lula na COP30 reforça a urgência climática, exige financiamento robusto e coloca a Amazônia no centro das negociações. Acompanhe nossa cobertura completa e compartilhe a notícia para ampliar o debate.

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