Lula na ONU condena sanções e cobra ação climática global

Lula na ONU condena sanções e cobra ação climática global. Em discurso de 18 minutos que abriu a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou sanções unilaterais, defendeu a democracia brasileira e pediu respostas urgentes à crise climática.

Fazendo uso da tradicional prerrogativa de o Brasil inaugurar os debates no plenário da ONU, o chefe de Estado abordou temas internos e internacionais, como a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a violência em Gaza e a polarização na América Latina.

Lula na ONU condena sanções e cobra ação climática global

Crítica a sanções e apelo por multilateralismo

Sem citar Donald Trump, Lula afirmou que “sanções arbitrárias” impostas por potências colocam em xeque a autoridade da ONU. Segundo ele, intervenções unilaterais vêm se tornando regra e alimentam uma “desordem internacional” guiada pela política do poder.

Democracia e julgamento de Bolsonaro

O presidente destacou a decisão inédita do Supremo Tribunal Federal que, neste mês, condenou Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe. “Não há pacificação com impunidade”, disse, frisando que democracias sólidas exigem redução de desigualdades e garantia de direitos.

Migração, pobreza e igualdade de gênero

Lula celebrou a saída do Brasil do Mapa da Fome e classificou pobreza e desigualdade como inimigas da democracia. Ele alertou que o sistema falha quando mulheres ganham menos que homens ou são vítimas de violência doméstica e quando migrantes são culpados pelas crises globais.

Regulação das big techs

Ao citar o potencial e os riscos das plataformas digitais, Lula ressaltou a aprovação de legislação brasileira voltada à proteção online de crianças e adolescentes, apontando o marco como exemplo para outros países.

Genocídio em Gaza e reconhecimento da Palestina

Em tom firme, o presidente condenou os atentados terroristas do Hamas, mas afirmou que “nada justifica o genocídio em curso em Gaza”, onde, segundo ele, o direito internacional humanitário está sendo enterrado junto com milhares de civis.

América Latina: polarização e diálogo

Lula definiu como “inadmissível” a inclusão de Cuba em listas de patrocinadores do terrorismo e pediu que a Venezuela mantenha portas abertas ao diálogo. Também defendeu um futuro sem violência para o Haiti e cooperação regional contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

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Imagem: Divulgação

Clima e a COP30 em Belém

Lembrando que 2024 foi o ano mais quente já registrado, Lula sugeriu criar um conselho de monitoramento climático vinculado à ONU e convocou metas mais ambiciosas de redução de emissões. Ele afirmou que a COP30, marcada para 2025 em Belém, será “a COP da verdade”.

Homenagem a Mujica e Papa Francisco

No encerramento, o presidente citou a morte do ex-mandatário uruguaio Pepe Mujica e do Papa Francisco, dizendo que ambos lembrariam ao mundo que “os únicos derrotados são os que cruzam os braços”. Para Lula, coragem e ação diária decidirão o futuro.

Com ataques a sanções unilaterais, defesa da democracia interna e apelos por justiça climática, o discurso de Lula na ONU buscou recolocar o Brasil como voz ativa no cenário multilateral.

Se você se interessa por temas que impactam o desenvolvimento global, confira também nossa seção de Economia, onde publicamos análises sobre políticas públicas e mercados.

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