Mercosul aceita salvaguardas da UE e salva acordo comercial. O bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai decidiu acatar o novo mecanismo europeu de proteção ao setor agrícola para manter vivo o tratado de livre-comércio negociado há mais de duas décadas.
A estratégia, segundo fontes governamentais, é evitar declarações públicas que alimentem a oposição francesa ao pacto. Em vez de contestar o dispositivo de imediato, os sul-americanos pretendem assinar o texto e recorrer aos capítulos de solução de controvérsias caso as barreiras sejam efetivamente acionadas.
Mercosul aceita salvaguardas da UE e salva acordo comercial
As salvaguardas aprovadas pelo Parlamento Europeu nesta terça-feira (16) retiram preferências tarifárias de produtos agrícolas do Mercosul sempre que as exportações ao bloco europeu crescerem mais de 5% ou quando os preços internos na União Europeia caírem pelo menos 5%. A medida foi mal recebida, mas não ao ponto de travar a assinatura prevista para sábado, em Foz do Iguaçu (PR).
Silêncio estratégico evita tensão com Paris
Autoridades brasileiras classificam qualquer reação dura como “morder a isca” lançada pelo governo francês, principal crítico do acordo. A avaliação em Brasília é que protestar agora forneceria argumentos para Paris bloquear a ratificação pelos 27 Estados-membros.
Caminho para a assinatura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera receber na cúpula do Mercosul os colegas Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e Santiago Peña (Paraguai). Pelo lado europeu, são aguardados a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o comissário de Comércio, Maros Sefcovic.
Após a cerimônia, caberá justamente ao Conselho Europeu dar o aval definitivo. O regulamento exige apoio de pelo menos 55% dos países-membros — equivalente a 15 nações — representando, no mínimo, 65% da população total da UE.
Imagem: Divulgação
Possíveis retaliações futuras
Mesmo aceitando o novo instrumento, o Mercosul não descarta responder “na mesma moeda”. Caso a União Europeia aplique as salvaguardas, o tratado prevê mecanismos de compensação, inclusive a suspensão de reduções tarifárias concedidas a produtos europeus.
Por ora, a ordem é concluir a negociação histórica, resguardando o direito de contestar eventuais restrições no futuro.
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O Mercosul decidiu agir com pragmatismo: aceita o sistema de proteção europeu agora, assegura a assinatura do tratado e mantém a possibilidade de contestação adiante. Continue nos seguindo para atualizações sobre a cúpula de sábado e os próximos passos deste acordo histórico.



