NTN-B permanece em patamar que a Kinea Investimentos classifica como “insustentável”, mesmo após o forte rali de ações e a valorização do real no início de 2026. Segundo a gestora, a dinâmica da curva de juros reais não acompanhou o otimismo visto em outros ativos domésticos, tornando o risco-retorno desses títulos menos atrativo.
Responsáveis pela marcação de longo prazo da inflação, os papéis do Tesouro Nacional indexados ao IPCA exibem prêmios que, na visão da casa, não refletem o ambiente de afrouxamento monetário que começou a se desenhar. Ainda assim, a Kinea avalia que o movimento inicial de ajuste deve ocorrer primeiro nos juros nominais, adiando a esperada correção nas taxas reais.
NTN-B em nível insustentável, mas Kinea não prevê queda
Para a gestora, a combinação de Ibovespa próximo de máximas históricas e câmbio mais favorável contrasta com a estabilidade das taxas das NTN-B. “Os níveis atuais não se sustentam no longo prazo, mas falta um gatilho claro para a virada”, afirma a equipe de renda fixa da Kinea em relatório a clientes.
No entendimento da gestora, a sinalização de cortes na Selic deve produzir, em primeiro lugar, alívio na parte nominal da curva. Somente depois, caso o Banco Central consolide a trajetória de inflação dentro da meta, a reprecificação deve alcançar os juros reais. “O investidor que buscar antecipar esse movimento pode enfrentar volatilidade adicional”, aponta o documento.
A avaliação ocorre em meio a expectativas de que o Comitê de Política Monetária inicie o ciclo de reduções a partir da reunião de março. Mesmo com a perspectiva de cortes graduais, os prêmios embutidos nas NTN-B pouco cederam desde o fim de 2025. Para a Kinea, o descompasso reforça a cautela na montagem de posições direcionais nesses títulos.
A gestora também destaca que, diferentemente das ações, os papéis indexados à inflação dependem de fatores como o comportamento das contas públicas e a credibilidade da autoridade monetária. Qualquer ruído fiscal pode adiar ainda mais a queda das taxas reais.
Imagem: Leo Pinheiro
Enquanto aguarda melhores sinais, a Kinea prefere manter exposição reduzida à NTN-B e concentrar a carteira em vértices mais curtos de juros nominais, onde enxerga relação risco-retorno mais favorável no curto prazo.
Em síntese, embora considere os atuais rendimentos das NTN-B fora de equilíbrio, a casa vê como prematuro apostar em queda iminente, recomendando paciência até que surja um catalisador claro na curva de juros reais.
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Resumo: a Kinea Investimentos avalia que os rendimentos das NTN-B estão em patamar insustentável, mas acredita que a correção primeiro ocorrerá nos juros nominais. Fique atento às próximas decisões de política monetária e acompanhe nossas atualizações.



