NTN-Bs voltam ao pior patamar de 2025 apesar de alívio

NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação, retornaram nesta semana ao pior patamar de 2025, contrariando a recuperação que vem marcando outros ativos financeiros desde o início do ano.

O movimento ocorre mesmo após a sequência de intervenções do Tesouro Nacional e do Banco Central no fim de 2024, que conseguiu conter a espiral de pessimismo observada na reta final daquele ano. Desde então, o dólar recuou de R$ 6,30 para R$ 5,40, o Ibovespa saltou de 120 mil para 143 mil pontos e a taxa dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) para 2029 caiu de 15,70% para 13,35% ao ano.

NTN-Bs voltam ao pior patamar de 2025 apesar de alívio

Apesar do ambiente mais favorável nos mercados de câmbio, renda variável e juros nominais, os prêmios reais extraídos das NTN-Bs seguem pressionados. Gestores afirmam que a combinação de preocupações fiscais e excesso de oferta de papéis impede uma queda dos juros reais — medidos pela diferença entre a taxa das NTN-Bs e a inflação projetada.

Oferta volumosa pesa sobre o mercado

Profissionais ouvidos apontam que, ao longo de 2024, o Tesouro realizou leilões considerados volumosos, elevando a quantidade de títulos indexados ao IPCA em circulação. Paralelamente, diversas companhias recorreram a emissões privadas que contam com benefícios fiscais, acirrando a concorrência por recursos. O resultado é um mercado saturado, com investidores exigindo retornos mais altos para absorver o risco.

Risco fiscal permanece no radar

Além da oferta elevada, o cenário fiscal brasileiro continua gerando cautela. A incerteza sobre a trajetória da dívida pública limita a disposição dos investidores em aceitar prêmios menores nas NTN-Bs, mesmo com a melhora recente de outros indicadores de mercado. Analistas lembram que a dinâmica de longo prazo da dívida é um fator determinante para o custo de financiamento do governo.

Contraste com outros ativos

O descompasso entre os juros reais e o comportamento do dólar e da Bolsa reforça o caráter específico do mercado de títulos indexados à inflação. Enquanto ações e câmbio reagiram rapidamente às intervenções de dezembro, as NTN-Bs permanecem sensíveis a variáveis estruturais, como a política fiscal e a demanda estrutural por proteção contra a inflação.

Perspectivas

Para especialistas, a tendência do prêmio das NTN-Bs dependerá da capacidade do governo de apresentar sinais firmes de consolidação fiscal e da calibragem dos próximos leilões do Tesouro. Qualquer redução na emissão de papéis ou melhora na percepção de risco pode abrir espaço para a queda dos juros reais, alinhando-os ao movimento observado nas demais curvas de mercado.

Em síntese, enquanto dólar, Ibovespa e DI exibem trajetória de recuperação, as NTN-Bs ainda refletem desconfiança relacionada a fundamentos fiscais e à pressão de oferta. Investidores seguirão monitorando novas ações oficiais e dados macroeconômicos para calibrar suas posições.

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Os juros reais das NTN-Bs voltaram ao pior nível de 2025 porque risco fiscal e excesso de oferta persistem. Continue acompanhando nosso site e receba alertas gratuitos sobre as próximas movimentações do mercado.

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