Nubank enfrenta demissões e pressão contra retorno presencial -

Nubank enfrenta demissões e pressão contra retorno presencial

Nubank enfrenta demissões e pressão contra retorno presencial após a leitura de uma carta-manifesto que reuniu cerca de 300 funcionários em plenária virtual promovida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O documento contesta o fim do home office, exige a revisão de desligamentos e cobra transparência sobre a mudança anunciada em 6 de novembro.

Com a mobilização, a fintech mais valiosa da América Latina volta ao centro do debate sobre gestão, cultura corporativa e relações trabalhistas, em um momento de ampla reestruturação do regime de trabalho.

Nubank enfrenta demissões e pressão contra retorno presencial

Entenda o que motivou a carta-manifesto

O estopim foi a decisão da empresa de substituir o modelo remoto, adotado durante a pandemia, por um cronograma híbrido obrigatório. Segundo o comunicado interno, até junho de 2026 os funcionários devem comparecer ao escritório uma semana por trimestre; a partir de julho do mesmo ano, o comparecimento sobe para dois dias por semana e, em janeiro de 2027, passa a três dias.

Na plenária, colaboradores relataram que o plano não foi submetido a negociação sindical nem respaldado por métricas que comprovem ganho de produtividade. Também manifestaram preocupação com a necessidade de assinar novo aditivo contratual, que, segundo eles, pode resultar em desligamentos para quem não aceitar as regras.

Mudanças no regime de trabalho

De acordo com o Nubank, cerca de 70% do quadro será afetado pelas novas exigências presenciais. A iniciativa busca, segundo a diretoria, “estimular colaboração e fortalecer a cultura de inovação”. No entanto, funcionários questionam o impacto financeiro e logístico da decisão, citando:

  • aumento de custos com deslocamento e alimentação;
  • redução da flexibilidade e possível queda na satisfação dos times;
  • necessidade de reavaliação de benefícios e contratos internos.

Demissões contestadas

A carta-manifesto também pede a recontratação de 14 profissionais dispensados por justa causa. Trabalhadores presentes à reunião afirmam que 12 deles foram desligados após criticarem o novo modelo em encontro com o CEO, David Vélez, e dois por suposta tentativa de sabotagem de sistemas.

Os signatários denunciam “falta de fundamentação clara” para as demissões e solicitam sua revisão imediata. A direção do Nubank não comenta casos individuais, mas confirma que segue a legislação trabalhista e seus códigos de conduta internos.

Reunião marcada com o sindicato

Uma rodada de negociação entre representantes sindicais e executivos da fintech está agendada para quarta-feira, 19 de novembro. O objetivo é discutir possíveis ajustes no cronograma presencial, avaliar a reintegração dos dispensados e estabelecer canais de diálogo permanentes.

Nubank enfrenta demissões e pressão contra retorno presencial - Imagem do artigo original

Imagem: Divulgação

Especialistas em direito trabalhista alertam que mudanças unilaterais em contratos podem acarretar passivos judiciais, sobretudo quando afetam benefícios consolidados. Já consultores de RH apontam risco de aumento na rotatividade caso a companhia não equilibre produtividade e bem-estar.

Possíveis impactos para a fintech

A situação coloca o Nubank diante de desafios estratégicos que vão além do layout do escritório:

  • reputação: a pressão interna e a repercussão midiática podem afetar a imagem de empregador inovador;
  • custos operacionais: a retomada presencial implica reajustes em infraestrutura e benefícios;
  • retenção de talentos: a perda de flexibilidade pode favorecer concorrentes que mantêm políticas remotas.

Por ora, a empresa mantém o cronograma, mas sinaliza disposição para ouvir as demandas dos colaboradores. O desfecho das negociações desta semana tende a indicar se haverá ajustes no modelo ou na política de demissões.

Para continuar informado sobre o desenrolar deste caso e outras movimentações que afetam o mercado financeiro, confira a cobertura em nossa seção de Economia.

Resumo: o Nubank vive um momento decisivo, pressionado por funcionários que contestam o fim do home office e questionam demissões recentes. O resultado da reunião com o sindicato será crucial para definir o futuro do regime de trabalho na fintech. Acompanhe e receba atualizações em tempo real assinando nossos alertas.

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