Origem dos gatos domésticos é revista por DNA antigo -

Origem dos gatos domésticos é revista por DNA antigo

Origem dos gatos domésticos ganha novo capítulo após a análise de 87 genomas antigos que apontam o Norte da África, e não o Levante, como berço dos felinos que hoje habitam lares no mundo todo.

Os estudos, publicados em 27 de junho nas revistas Science e Cell Genomics, utilizam DNA recuperado de ossos encontrados em sítios arqueológicos da Europa, Ásia e Oriente Médio para reposicionar o surgimento do Felis catus há aproximadamente 2.000 anos, durante a expansão do Império Romano.

Origem dos gatos domésticos é revista por DNA antigo

Nessas pesquisas coordenadas pelo professor Greger Larson, da Universidade de Oxford, os pesquisadores compararam material genético de felinos modernos com restos atribuídos a gatos “domésticos” de até 10 mil anos atrás. O resultado desmonta a crença de que a domesticação ocorreu ainda no início do Neolítico, quando agricultores do Levante teriam aproximado gatos selvagens atraídos por depósitos de grãos.

Novas análises genéticas apontam para o Norte da África

Ao sequenciar 87 genomas, o estudo europeu demonstrou que o ancestral direto do gato doméstico atual é o gato-selvagem africano (Felis lybica lybica). Esses animais teriam formado o pool genético predominante e se espalhado pelo continente europeu junto com rotas comerciais romanas. Por volta de 730 d.C., registros genéticos já confirmam a presença dos felinos na China, provavelmente transportados em caravanas pela Rota da Seda.

Convivência paralela com o gato-de-bengala na China

Um segundo artigo, liderado pela pesquisadora Shu-jin Luo, analisou 22 ossadas chinesas de até 5.400 anos e revelou que, antes da chegada do Felis catus, o pequeno Prionailurus bengalensis — conhecido como gato-de-bengala — convivia de forma comensal com agricultores locais. Embora eficiente no controle de roedores, a espécie nunca foi totalmente domesticada. A reputação de “tigre caçador de galinhas” e mudanças nos sistemas de criação de aves após a dinastia Han contribuíram para o afastamento desses felinos dos assentamentos humanos.

Mudança climática e conflitos aceleraram a transição

Entre 220 d.C. e 618 d.C., período de instabilidade que separa as dinastias Han e Tang, resfriamento climático reduziu a produção agrícola, restringindo alimentos para roedores e, por consequência, para o gato-de-bengala. Sem espaço nos vilarejos, essa população retornou às florestas, abrindo caminho para a difusão do gato doméstico norte-africano.

Papel do Egito antigo reforça a nova teoria

A forte presença de felinos em artefatos egípcios, retratados com coleiras, brincos e tigelas próprias, corrobora a hipótese de domesticação no Norte da África. No entanto, especialistas como Jonathan Losos, da Universidade Washington em St. Louis, ressaltam que ainda faltam amostras arqueológicas da região para confirmar se o Egito foi apenas um ponto de difusão ou o coração do processo.

Próximos passos na pesquisa

A equipe de Oxford planeja ampliar o banco de dados com amostras do Norte da África e do Sudoeste Asiático para esclarecer lacunas temporais. “Como sempre enigmáticos, os gatos revelam seus segredos a contragosto”, comentou Larson ao divulgar os achados.

Enquanto novas escavações não fornecem respostas definitivas, o consenso atual indica que a origem dos gatos domésticos está ligada ao gato-selvagem africano, cuja adaptação à vida humana ocorreu bem depois do que se supunha, impulsionada por rotas comerciais e mudanças socioculturais ao longo do primeiro milênio da era comum.

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Em resumo, o DNA antigo revelou que os gatos que hoje dividem sofás e memes com seus tutores têm ascendência norte-africana e se tornaram companheiros humanos há cerca de 2.000 anos. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta notícia para quem também é apaixonado por felinos.

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