Os contratos futuros de ouro encerraram a sessão desta segunda-feira (11) em forte queda, refletindo a incerteza que dominou o mercado durante todo o dia a respeito da possível aplicação de tarifas ao metal nos Estados Unidos. Ao fim dos negócios, a sinalização da Casa Branca de que não haverá sobretaxa sobre as importações do produto eliminou a principal fonte de preocupação dos investidores e consolidou o movimento de baixa observado desde a abertura.
Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato para entrega em outubro recuou 2,51%, cotado a US$ 3.376,20 por onça-troy. O volume de vendas ganhou força logo nas primeiras horas do pregão, depois que operadores passaram a revisar posições defensivas construídas na sexta-feira, quando rumores sobre a implementação de impostos adicionais levaram o preço do ouro a renovar máximas históricas.
O nervosismo do mercado aumentou na sexta-feira anterior, quando circulou a informação de que certas barras do metal poderiam ser alvo de uma medida protecionista do governo norte-americano. O temor levou muitos agentes a buscar proteção adicional, elevando as cotações a patamares recordes. Entretanto, ainda na noite daquele dia, a Casa Branca anunciou que publicaria uma ordem executiva esclarecendo o tema. O comunicado, apesar de não detalhar o conteúdo da norma, já provocou um primeiro ajuste para baixo nos preços na abertura desta segunda-feira.
A confirmação veio pouco antes do encerramento das negociações à vista. O presidente Donald Trump declarou que não serão aplicadas tarifas sobre o ouro importado, afastando o risco de encarecimento do metal no principal mercado consumidor do mundo. A declaração consolidou a percepção de que as máximas registradas na sexta-feira foram resultado de um movimento especulativo, incentivando uma liquidação mais ampla de contratos futuros.
Além da questão comercial, operadores relataram volume menor de transações e maior seletividade nas ordens, em razão de uma agenda econômica esvaziada no dia. A falta de indicadores relevantes levou parte dos participantes a adotar postura cautelosa, aguardando divulgações programadas para os próximos dias. Estão no radar os dados de inflação ao consumidor e os números de atividade econômica nos Estados Unidos, informações consideradas cruciais para balizar as expectativas em torno da próxima reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed).
Analistas ouvidos ao longo do pregão destacaram que a oscilação recente do ouro tem se concentrado em fatores externos ao fluxo físico de oferta e demanda, como as discussões sobre tarifas e a trajetória dos juros norte-americanos. O metal costuma ser procurado como ativo de reserva em cenários de incerteza, mas a perspectiva de aperto monetário pelo Fed tende a reduzir sua atratividade, uma vez que ele não oferece rendimento.
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No mercado de renda fixa, as taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos exibiram leve alta durante o dia, reforçando a tese de um Fed possivelmente mais agressivo se os números de inflação vierem acima do esperado. Um avanço dos rendimentos costuma pressionar o ouro, pois eleva o custo de oportunidade para quem mantém posição no metal. Esse fator, combinado à retirada do risco tarifário, contribuiu para a amplitude da correção registrada nesta segunda-feira.
Do lado cambial, o dólar apresentou movimentos contidos frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, sem alterar significativamente a paridade em que o ouro é cotado internacionalmente. Mesmo assim, operadores ressaltaram que qualquer volatilidade cambial adicional pode interferir nas próximas sessões, sobretudo se as projeções para os preços ao consumidor nos Estados Unidos surpreenderem.
Com a queda de hoje, o ouro devolveu parte expressiva dos ganhos acumulados na semana anterior, mas ainda permanece acima das cotações médias observadas no mês passado. Investidores seguem monitorando declarações de autoridades norte-americanas e eventuais desdobramentos na frente comercial, além de manter o foco em indicadores que ofereçam pistas mais claras sobre a orientação futura da política monetária dos Estados Unidos.



