Pix por Aproximação completa nove meses de operação ainda restrito a usuários de celulares Android e a maquininhas habilitadas com NFC, cenário que trava a popularização da solução criada pelo Banco Central.
Análise da consultoria GMattos, liderada por Gastão Mattos, revela que a modalidade não oferece vantagens sobre o pagamento por cartão de débito por aproximação e, além disso, não pode ser utilizada em iPhones devido à incompatibilidade com a carteira Apple Pay.
Pix por Aproximação esbarra em limitações no iOS
De acordo com o estudo, o problema de cobertura é significativo: embora aparelhos com sistema iOS representem apenas 22% dos smartphones distribuídos no Brasil, eles respondem por até 40% do volume transacionado em carteiras digitais. “Quem já paga com cartão contactless não vê motivo para configurar o Pix por Aproximação, ainda mais quando a solução não é universal”, afirma Gastão Mattos.
Compatibilidade depende de NFC e APIs liberadas
Para que a transação aconteça, a maquininha de pagamento precisa gerar um sinal NFC que o celular receba e traduza em um pedido de Pix dentro da carteira digital. Segundo Marcelo Martins, CEO da fintech Iniciador, no início de 2024 boa parte dos terminais ainda não trazia a tecnologia habilitada; hoje, aproximadamente 20% continuam sem suporte.
Martins explica que, no Android, o Google Pay utiliza as APIs do sistema para converter o sinal NFC em uma ordem de pagamento via Pix. No iOS, contudo, a Apple mantém controle fechado sobre o acesso ao chip NFC e não liberou a integração necessária para conectar o Apple Pay ao Pix. “Sem a abertura dessas APIs, o recurso permanece restrito”, resume.
Jornada Sem Redirecionamento sustenta a função
O Pix por Aproximação se apoia na Jornada Sem Redirecionamento (JSR), regulamentada pelas Resoluções BCB 406 e 407, publicadas em agosto de 2024. A JSR permite que o usuário autorize uma única vez o Google Pay a iniciar pagamentos diretamente de sua conta bancária dentro do ambiente Open Finance, definindo limites pré-aprovados.
Na prática, o cliente aproxima o celular, confirma o valor e conclui o Pix sem precisar abrir o aplicativo do banco nem escanear QR Code. Apesar do ganho de conveniência, a ausência de estímulos — como descontos ou cashback — faz com que o consumidor continue a preferir o cartão de débito por aproximação, aponta o relatório da GMattos.
Desconhecimento no ponto de venda dificulta adoção
Outro entrave é a falta de informação na linha de frente do varejo. “Muitas vezes nem o atendente sabe que a maquininha aceita Pix por Aproximação”, observa Martins. Sem orientação, o cliente não é convidado a testar a funcionalidade, perpetuando o baixo uso.
Imagem: divulgação
Benefícios potenciais ainda não sensibilizam o mercado
Fabio Montanari, CEO da Montanari Tecnologia, acredita que o Pix por Aproximação pode ganhar espaço em compras de baixo valor, pois alia o gesto rápido do contactless ao custo transacional reduzido do Pix para o lojista. Mesmo assim, ele reconhece que a curva de aprendizado e a ausência de incentivos claros retardam o avanço.
Próximos passos dependem de Apple e credenciadoras
Especialistas consideram que a expansão da modalidade está condicionada a dois movimentos: a liberação das APIs de NFC pela Apple e a atualização das maquininhas restantes. Sem essas mudanças, a cobertura seguirá parcial e o apelo ao usuário continuará limitado.
Enquanto isso, o Banco Central mantém a estratégia de reforçar o ecossistema de Open Finance e aposta que a padronização de jornadas simples, como a JSR, criará terreno para novidades. Por ora, porém, o Pix por Aproximação permanece como solução promissora ainda longe de alcançar o público amplo.
Para entender mais sobre como as inovações de pagamento impactam o varejo, recomendamos visitar a seção de Economia do Diário de Finanças.
O Pix evoluiu rapidamente no Brasil, mas sua versão por aproximação encara desafios técnicos e comerciais. Continue acompanhando nossos conteúdos e descubra as próximas movimentações do mercado financeiro.



