Pix supera Drex na preferência dos brasileiros e obriga o Banco Central a redefinir os planos do Real Digital, segundo análise do BIS, o Banco de Compensações Internacionais.
O estudo, publicado em 2025, mostra que a adoção quase universal do sistema de pagamentos instantâneos lançou dúvidas sobre a utilidade de uma moeda digital de varejo, inicialmente batizada de Drex. Com isso, o Banco Central passou a focar a CBDC em aplicações de atacado.
Pix supera Drex e redefine o futuro do Real Digital
Dados que sustentam a virada
De acordo com o relatório do BIS, os números do Pix impressionam:
— Lançado em novembro de 2020;
— Em menos de 12 meses, já atendia mais de dois terços da população adulta;
— Em 2024, superou 90% de adoção;
— Pagamentos P2P gratuitos;
— Custo médio para lojistas: 0,22%;
— Taxa média no crédito tradicional: 2,1%.
O desempenho coloca o Brasil entre os líderes globais em eficiência de pagamentos, cenário raro mesmo em economias desenvolvidas.
Por que o Drex perdeu força
As CBDCs surgiram como resposta a problemas recorrentes em mercados estrangeiros: lentidão das transferências, remessas internacionais caras e persistência do cheque. No Brasil, porém, o ambiente é diferente:
- Pix já oferece liquidação instantânea;
- TED e DOC cobrem transações de varejo desde antes de 2020;
- Consumidores não enfrentam barreiras significativas em pagamentos eletrônicos.
Sem uma dor clara a ser resolvida no cotidiano, o projeto de Real Digital perdeu sentido como moeda de varejo. O Banco Central, então, reavaliou o plano e deslocou esforços para o atacado financeiro.
Novo foco: liquidação e tokenização
O Drex passa a mirar operações que não chegam ao usuário final, mas sustentam o mercado:
- Liquidação e compensação de grandes pagamentos;
- Tokenização de títulos públicos e privados;
- Automação de contratos financeiros e trocas complexas.
A ideia é usar a infraestrutura do Pix para o varejo e reservar o Drex para camadas mais sofisticadas da economia.
Imagem: Divulgação
Comparativo direto
Velocidade: Ambos instantâneos.
Custo ao varejo: Pix quase zero; Drex dependeria de nova estrutura.
Adoção: Pix altíssima; Drex segue em piloto.
Tecnologia base: Pix opera na rede do BC; Drex testava blockchain.
Objetivo: Pix foca pagamentos; Drex agora mira tokenização.
O que esperar daqui para frente
Especialistas avaliam que o real digital de atacado poderá reduzir prazos de liquidação, ampliar a transparência e viabilizar produtos financeiros programáveis. Entretanto, a experiência cotidiana do consumidor deve continuar centrada no Pix, que já comprovou escala e baixo custo.
Ainda não há calendário definitivo para a fase final do Drex, mas o reposicionamento evidencia uma estratégia pragmática: aproveitar o que já funciona e desenvolver soluções apenas onde existe espaço concreto para ganho de eficiência.
Com isso, o Brasil mantém a liderança em pagamentos instantâneos, ao mesmo tempo em que investe em tecnologias de próxima geração para os bastidores do mercado financeiro.
Para entender outras movimentações do setor e acompanhar indicadores que afetam seu bolso, acesse nossa seção de Economia.
Resumo: a adoção esmagadora do Pix reduziu a urgência de uma moeda digital de varejo, e o Banco Central redirecionou o Drex para aplicações de atacado. Continue acompanhando nossas atualizações e receba análises em primeira mão assinando as notificações do Diário de Finanças.



