Plano dos EUA para a Venezuela prevê três fases e transição é a estratégia anunciada nesta quarta-feira (7) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, após a captura do presidente Nicolás Maduro no último sábado. Segundo o chefe da diplomacia de Washington, o roteiro inclui estabilização imediata, recuperação econômica e, por fim, uma mudança de governo no país sul-americano.
Rubio detalhou que a primeira etapa busca evitar o “cenário de caos” e envolve uma “quarentena” comercial que impede Caracas de movimentar cerca de 30 a 50 milhões de barris de petróleo atualmente bloqueados por sanções. A venda desse óleo, explicou, ocorrerá a preços de mercado para financiar medidas de contenção e segurança.
Plano dos EUA para a Venezuela prevê três fases e transição
Na fase de recuperação, o governo norte-americano pretende garantir “acesso justo” de empresas dos Estados Unidos, de países ocidentais e de outras regiões ao mercado venezuelano. Esse momento incluirá programas de reconciliação nacional, libertação de opositores detidos e anistias direcionadas, segundo o secretário.
Estabilização: quarentena do petróleo e controle de segurança
Rubio enfatizou que a estabilização será conduzida “rapidamente” para impedir o colapso dos serviços públicos e a expansão de grupos armados. A quarentena petrolífera bloqueia embarques venezuelanos e reforça o embargo vigente desde 2019. “Vamos vender esse petróleo sem descontos, ao preço global”, garantiu.
Recuperação: abertura de mercado e reconciliação
Durante a segunda fase, a Casa Branca prevê desbloquear parte das receitas obtidas com a venda do petróleo para financiar a reconstrução da infraestrutura e programas sociais. A equipe de Washington também pretende facilitar o retorno de especialistas venezuelanos que deixaram o país.
Transição política: definição de novo governo
A terceira etapa, de acordo com Rubio, estabelecerá um cronograma de transição. Embora não tenha citado datas, o secretário afirmou que o objetivo é “um caminho claro” para um governo eleito. Delcy Rodríguez, vice de Maduro, assumiu interinamente com aval do ex-presidente Donald Trump, que declarou estar “à frente” do processo.
Casa Branca mantém pressão sobre autoridades interinas
A porta-voz Karoline Leavitt confirmou que Washington exerce “influência máxima” sobre o gabinete provisório em Caracas. Segundo ela, decisões estratégicas “continuarão sendo ditadas pelos Estados Unidos da América” durante a implementação do plano.
Oposição venezuelana perde protagonismo
Com Maduro sob custódia em Nova York, líderes oposicionistas como María Corina Machado permanecem fora do país ou na clandestinidade. A possibilidade de assumir o poder, por ora, foi descartada por assessores de Trump. Analistas ouvidos pela imprensa local afirmam que a oposição carece de estrutura institucional para conduzir a transição.
Forças Armadas alinhadas ao chavismo
As Forças Armadas venezuelanas reiteraram “lealdade absoluta” a Delcy Rodríguez. O alto-comando controla setores estratégicos — petróleo, mineração, distribuição de alimentos e aduanas — e tem papel decisivo na aplicação do estado de exceção que restringe protestos.
Imagem: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS
Apreensão de petroleiro reforça cooperação pontual
Na terça-feira (6), a Guarda Costeira dos EUA apreendeu o petroleiro Marinera, antigo Bella 1, classificado como “embarcação apátrida” após hastear bandeira russa falsa. Caracas solicitou que a carga confiscada seja incluída nas negociações bilaterais. O navio, sancionado desde 2024, transportava petróleo ligado a empresas investigadas por vínculos com o Hezbollah, segundo autoridades norte-americanas.
Rubio avaliou que a apreensão demonstra disposição do governo interino de “cooperar” para aliviar sanções. Leavitt reforçou que a tripulação será processada em tribunais dos EUA, pois havia mandado judicial de captura em vigor.
Contexto das sanções e embargos
Desde 2019, Washington mantém embargo ao petróleo venezuelano e amplia sanções que atingem finanças estatais, militares e dirigentes chavistas. Durante o primeiro mandato, Trump reconheceu Juan Guaidó como presidente interino; no segundo, a Casa Branca priorizou a ofensiva direta contra Maduro, culminando na operação de captura.
Para especialistas, o novo plano dos EUA para a Venezuela mantém foco econômico e de segurança, deferindo a definição política para um estágio posterior. Enquanto isso, a oposição segue em segundo plano, e o governo interino tenta equilibrar exigências de Washington e pressões internas.
Com o roteiro de três fases anunciado, os próximos movimentos dependerão da efetiva estabilização e da capacidade de recuperação econômica sob supervisão norte-americana.
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Este resumo reforça as etapas do plano dos EUA para a Venezuela e destaca seus possíveis desdobramentos. Acompanhe nossas atualizações e saiba, em primeira mão, como cada fase pode influenciar a região.



