Pobreza no Brasil recua, mas depende de benefícios. Dados do IBGE indicam que a proporção de brasileiros em extrema pobreza caiu de 4,4% para 3,5% entre 2023 e 2024, resultado influenciado pelos programas de transferência de renda e por um mercado de trabalho mais aquecido.
O levantamento revela que cerca de 1,9 milhão de pessoas deixaram a condição de extrema pobreza no período analisado, representando o melhor desempenho da série histórica iniciada em 2012.
Pobreza no Brasil recua, mas depende de benefícios
Segundo o analista socioeconômico do IBGE Jefferson Mariano, a dependência de benefícios sociais é evidente: ao excluir essas transferências da conta, o percentual de pessoas em situação de pobreza sobe para aproximadamente 40% da população.
Mariano ressalta que o desempenho recente reforça a importância dos programas de renda básica para a redução das desigualdades, sobretudo após o impacto da pandemia em 2020, quando os indicadores de vulnerabilidade atingiram níveis críticos.
Desigualdades persistem
A pesquisa aponta que pretos e pardos continuam representando a maioria dos indivíduos em pobreza e extrema pobreza, enquanto pessoas brancas aparecem em proporção menor. Entre as mulheres pretas, a vulnerabilidade é ainda mais acentuada, colocando-as na base da pirâmide socioeconômica.
Mesmo com a melhora geral, o Brasil segue entre os países com maior concentração de renda na OCDE. Quando os programas de transferência de renda são desconsiderados, a desigualdade de renda aumenta de forma significativa, reforçando o peso desses benefícios no combate à pobreza.
Mercado de trabalho e perspectivas
O aquecimento do mercado de trabalho também contribuiu para o recuo da extrema pobreza. A expansão de vagas formais e informais permitiu que parte da população aumentasse a renda, complementando o efeito dos programas sociais.
Imagem: Divulgação
Para Mariano, a manutenção do emprego em alta, combinada ao alcance dos benefícios, abre espaço para novos avanços. “É possível que, no futuro, tenhamos números cada vez menores nessa situação”, observa o analista, projetando continuidade na trajetória de queda da pobreza, caso o cenário econômico permaneça favorável.
Apesar dos desafios, os dados mais recentes configuram o momento de menor extrema pobreza desde 2012, indicando que políticas de renda e estabilidade no mercado de trabalho continuam sendo decisivas para enfrentar as desigualdades estruturais do país.
Para acompanhar outros indicadores e análises econômicas, confira a seção de economia do Diário de Finanças.
Em síntese, a redução da extrema pobreza no Brasil reflete a combinação entre programas de transferência de renda e maior oferta de trabalho. Continue acompanhando nossas publicações para entender como esses fatores podem influenciar o futuro econômico do país.



