Presidente afastado do BRB, Paulo Henrique Costa declarou nesta segunda-feira (18) que está à disposição das autoridades para fornecer todos os documentos e informações solicitados na Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar a compra de carteiras de crédito do Banco Master.
O executivo foi afastado do comando do Banco de Brasília (BRB) poucas horas depois de a PF indicar suspeitas de irregularidades que podem chegar a quase R$ 12,2 bilhões. Em nota oficial, Costa ressaltou que preza pela transparência e pela legalidade em suas decisões, reiterando confiança de que a investigação esclarecerá os fatos.
Presidente afastado do BRB afirma colaborar no Caso Master
A Operação Compliance Zero apura se carteiras de crédito adquiridas pelo BRB do Banco Master foram superfaturadas ou mesmo inexistentes. Segundo a PF, a instituição pública teria comprado esses ativos entre 2023 e 2024, período em que surgiram inconsistências nos documentos apresentados pelo Master.
Costa argumentou que a aquisição de carteiras é prática usual no mercado financeiro para expandir receitas. Entretanto, ele admite que, no primeiro quadrimestre deste ano, o BRB identificou divergências em parte dos papéis e comunicou imediatamente o Banco Central do Brasil (BCB), acionando mecanismos internos de controle.
Investigação envolve carteiras de R$ 12,2 bilhões
De acordo com a Polícia Federal, o montante investigado equivale a quase metade do patrimônio de referência do BRB. As carteiras foram negociadas em diversas operações, sendo parte delas já substituída ou recomprada após questionamentos de autenticidade.
Ao relatar as providências, o presidente afastado disse que o BRB revisou cada operação suspeita, reforçou os controles de compliance e ajustou processos internos para mitigar riscos. “Toda apuração conduzida pelos órgãos competentes é legítima, necessária e positiva para fortalecer as instituições”, afirmou.
O executivo destacou ainda que manterá “cooperação plena” com a Polícia Federal, o Banco Central e demais instâncias de fiscalização. Ele reiterou acreditar que a transparência é “fundamental para assegurar a confiabilidade do sistema financeiro e resguardar recursos públicos”.
A instituição financeira não informou, até o momento, se recorrerá da decisão de afastamento imposta a Costa. O BRB também não detalhou o impacto contábil das substituições de carteiras já realizadas, mas reforçou que se mantém capitalizado e operando normalmente.

Imagem: Divulgação
Por enquanto, a PF continua analisando contratos, laudos de avaliação e correspondências bancárias para confirmar se houve fraude documental ou conluio entre executivos. Caso as suspeitas se confirmem, os envolvidos podem responder por gestão fraudulenta, falsidade ideológica e crimes contra o sistema financeiro.
A investigação segue em sigilo, e novas diligências não estão descartadas. O Banco Central, que recebeu comunicação do BRB ainda no início do ano, monitora a situação e poderá adotar medidas adicionais se identificar risco à solidez do banco.
Em síntese, Paulo Henrique Costa mantém sua posição de cooperar e espera que a apuração restabeleça a normalidade institucional. Enquanto isso, o BRB reforça compromissos de governança para preservar a confiança de acionistas e clientes.
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