Prisão de Rodrigo Bacellar: PF vê troca de mensagens com TH -

Prisão de Rodrigo Bacellar: PF vê troca de mensagens com TH

Prisão de Rodrigo Bacellar domina o noticiário após a Polícia Federal revelar diálogos e imagens trocados entre o presidente da Alerj e o então deputado Thiago Souza, conhecido como TH Joias, na véspera e no dia da Operação Zargun, deflagrada em 3 de julho.

Os investigadores afirmam que as conversas indicam possível conhecimento prévio de Bacellar sobre a ação policial que culminou com sua detenção e a de TH, preso originalmente em setembro de 2023.

Prisão de Rodrigo Bacellar: PF vê troca de mensagens com TH

Segundo a representação da PF, às 22h27 da noite anterior à operação, TH informou a Bacellar que havia adquirido um celular novo e registrara o presidente da Alerj como primeiro contato para emergências. Na sequência, chamou o parlamentar de “01”. Bacellar respondeu com uma figurinha de um homem bebendo cerveja, gesto que, para os agentes, sugere ciência sobre a substituição do aparelho e sobre um possível plano de fuga.

Na madrugada de 3 de julho, às 6h03, equipes da PF chegaram ao condomínio Mansões, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, para cumprir o mandado de prisão contra TH, mas não o localizaram. Horas depois, ele seria encontrado em outro endereço, no Condomínio Majestic.

Foto em tempo real expôs ação policial

Enquanto a força-tarefa revistava a primeira residência, TH enviou a Bacellar uma fotografia tirada do próprio celular. A imagem mostrava o sistema de segurança interna da casa, onde policiais federais reviravam cômodos parcialmente vazios. Para a PF, o envio em tempo real reforça a hipótese de que o presidente da Alerj recebia informações sigilosas durante a operação.

Suspeita de obstrução e estado paralelo

Ao justificar as prisões, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República citaram “organização criminosa armada com participação de funcionário público” e “obstrução de investigação”, destacando o “grau acentuado de vulneração à ordem pública”.

Os investigadores sustentam que Bacellar exercia influência além da Assembleia, interferindo em nomeações estratégicas nas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. Esse suposto domínio, acrescentam, ampliaria a capacidade de obstruir apurações contra grupos como o Comando Vermelho, evidenciando um “estado paralelo” comandado por “capos da política fluminense”.

Defesa nega vazamento de informações

A defesa de Rodrigo Bacellar afirma que o parlamentar “não atuou para obstruir investigações” e nega qualquer vazamento de dados sigilosos. Os advogados ressaltam que ele foi ouvido pela PF e “esclareceu tudo o que lhe foi perguntado”.

Em nota, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro declarou que não havia sido oficialmente comunicada sobre a operação até o início da tarde de quarta-feira. A Casa informou que, assim que tiver acesso completo às informações, adotará as medidas cabíveis. Na manhã do mesmo dia, agentes federais cumpriram mandado de busca e apreensão no gabinete do presidente da Alerj.

Manobra regimental no dia da operação

A PF também menciona uma “célere manobra regimental” protagonizada pelo governo estadual e pela cúpula da Alerj logo após a deflagração da Operação Zargun. A articulação permitiu o retorno imediato de um deputado titular ao mandato, provocando a exoneração do suplente TH Joias ainda no dia 3 de julho. Para os investigadores, a manobra reforça a tese de proteção a aliados investigados.

Assessor citado por auxiliar na fuga

A decisão do STF alcançou ainda o assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado. Conforme a PF, ele teria auxiliado TH na fuga ao fornecer, na véspera, o endereço do apartamento 802 do bloco 6 no Condomínio Majestic, onde o ex-deputado foi encontrado.

Até o momento, não há confirmação se o assessor foi localizado pelas autoridades.

A investigação prossegue, e a PF não descarta novas diligências para esclarecer o alcance da suposta rede de proteção política que, segundo os autos, buscava inviabilizar ações de combate à criminalidade organizada no estado.

Para acompanhar outros desdobramentos sobre política e investigações no Rio de Janeiro, confira também a nossa cobertura na seção de Governamental.

Este resumo apresenta os principais pontos da Operação Zargun e seus impactos na cúpula legislativa fluminense. Continue conosco para receber atualizações e análises completas.

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