Processo de Trump contra JP Morgan inclui Dimon, diz banco. O JP Morgan Chase afirmou, em petição protocolada ontem (18), que o ex-presidente Donald Trump incluiu de maneira fraudulenta o CEO Jamie Dimon como réu na ação de US$ 5 bilhões movida no tribunal estadual do condado de Miami-Dade, na Flórida.
Segundo o banco, a presença de Dimon na ação serviria apenas para manter o litígio na justiça estadual, já que, pelas regras processuais, a inclusão de um residente da Flórida dificultaria a remoção para a esfera federal. A instituição financeira solicita que o caso seja transferido para um tribunal federal em Miami e, posteriormente, para Nova York.
Processo de Trump contra JP Morgan inclui Dimon, diz banco
A defesa do JP Morgan, representada pelo escritório Jones Day — que tem entre seus sócios Noel Francisco, ex-procurador-geral dos Estados Unidos no primeiro governo Trump — sustenta que a lei contra práticas comerciais desleais da Flórida não se aplica a Dimon. O argumento é que o executivo atua sob supervisão rigorosa das agências bancárias federais, fato que o colocaria fora do alcance da norma citada por Trump.
O processo de Trump, aberto em janeiro, alega que o banco encerrou contas pessoais, familiares e corporativas cerca de sete semanas após o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio, prejudicando financeiramente o ex-presidente e sua reputação. Trump sustenta que Dimon teria ordenado a inclusão de seu nome e de suas empresas em uma “lista negra” compartilhada com outras instituições financeiras.
Na nova petição, o JP Morgan classifica a acusação como “imprecisa e deficiente”. Os advogados afirmam que o ex-presidente não detalha quando a suposta lista foi criada, como teria sido distribuída ou quais seriam seus efeitos práticos. “Não é plausível que o banco pudesse elaborar tal lista em conformidade com o complexo arcabouço regulatório federal ao qual está sujeito”, diz o documento.
A equipe jurídica de Trump rebate, alegando que o JP Morgan, “sob a direção de Jamie Dimon, excluiu ilegalmente o presidente, sua família e suas empresas de contas bancárias, causando enormes prejuízos”. O porta-voz do ex-mandatário afirma que o processo busca defender outros clientes que, segundo ele, teriam sido injustamente desbancarizados.
Imagem: Silvia Costanti
A petição do JP Morgan indica que a instituição pretende apresentar, em seguida, um pedido de arquivamento do que classificou como “processo frágil”. Casos semelhantes existem: em 2023, Trump processou a Capital One Financial com alegações quase idênticas, e o banco também solicitou a extinção da ação.
Até o momento, não há decisão sobre a remoção do processo para a justiça federal, nem prazo definido para a análise do possível pedido de arquivamento. O andamento do caso poderá influenciar disputas judiciais futuras envolvendo figuras públicas e práticas de encerramento de contas pelas grandes instituições financeiras.
Para entender outros desdobramentos que impactam o mercado financeiro, confira nossa cobertura na seção de Economia.
Em resumo, o JP Morgan quer levar o processo de US$ 5 bilhões para a jurisdição federal e retirar Jamie Dimon do polo passivo, enquanto Donald Trump mantém a acusação de discriminação bancária. Acompanhe as próximas decisões judiciais e saiba como elas podem afetar o setor financeiro.



