Queda do ouro reflete menor aposta em corte de juros do Fed é o movimento que marcou a sessão desta quinta-feira (20), quando os contratos futuros do metal precioso recuaram diante da percepção de que o Federal Reserve deve adiar qualquer redução na taxa básica norte-americana.
Investidores ajustaram suas posições depois de discursos considerados mais cautelosos por dirigentes do banco central dos Estados Unidos e da divulgação da ata da última reunião de política monetária. Dados de emprego divulgados no mesmo dia reforçaram a ideia de um mercado de trabalho ainda aquecido, diminuindo as chances de flexibilização monetária em dezembro.
Queda do ouro reflete menor aposta em corte de juros do Fed
No encerramento dos negócios na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro para entrega em dezembro cedeu 0,55%, sendo negociado a US$ 4.060,0 por onça-troy. Com a remuneração dos títulos do Tesouro mais atraente e a ausência de juros no metal, a commodity perdeu apelo como porto seguro.
A firmeza do dólar também pesou sobre as cotações. A divisa norte-americana ganhou força nas últimas sessões, tornando o ouro mais caro para detentores de moedas mais fracas e, consequentemente, reduzindo a demanda internacional.
Apesar da retração pontual, o UBS revisou para cima sua projeção de preço. O banco suíço agora estima a onça-troy em US$ 4.500 no meio de 2026, ante os US$ 4.200 previstos anteriormente. O relatório cita riscos geopolíticos persistentes, preocupações fiscais nos Estados Unidos e a expectativa de um ciclo de cortes de juros mais adiante como fatores de sustentação.
“Esperamos que a demanda por ouro aumente ainda mais em 2026, influenciada pelos cortes de juros antecipados do Fed, rendimentos reais mais baixos, contínuas incertezas geopolíticas e mudanças no ambiente de política doméstica dos Estados Unidos”, escreveram os estrategistas.
Por ora, porém, o consenso de mercado aponta para um cenário de pausa monetária prolongada, o que deve manter o ouro pressionado no curto prazo. Analistas alertam que a trajetória da inflação e a evolução do mercado de trabalho serão decisivas para calibrar as apostas sobre o cronograma de afrouxamento pelo Fed.

Imagem: Zlataky.cz
A próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) está marcada para meados de dezembro. Até lá, novos indicadores, especialmente de inflação ao consumidor (CPI) e de gastos com consumo (PCE), poderão alterar a percepção dos agentes sobre o rumo da política monetária norte-americana.
No mercado internacional, outros metais preciosos seguiram tendência semelhante, embora com oscilações menos acentuadas. A prata e a platina tiveram ajustes marginais, enquanto o paládio registrou leve alta, apoiado por expectativas de oferta restrita.
Em síntese, a queda do ouro nesta quinta-feira reflete um reposicionamento dos investidores diante de sinais de manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos, combinados à valorização do dólar. O comportamento futuro do metal dependerá, sobretudo, dos próximos dados macroeconômicos e da comunicação do Fed.
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