Ranking de reclamações do Banco Central mostra que Bradesco, Banco Inter e C6 Bank concentram as maiores proporções de queixas procedentes entre grandes instituições em atividade no Brasil. O levantamento, divulgado em 06/01/2026, compara o número de reclamações confirmadas com a base total de clientes para apontar onde o atendimento apresenta mais falhas.
De acordo com os dados oficiais, o Bradesco ocupa o topo da lista, seguido por Inter e C6. O estudo não avalia lucro ou tamanho, mas sim o volume de queixas ajustado pela quantidade de correntistas, evitando distorções que penalizariam bancos maiores somente pelo número absoluto de usuários.
Ranking de reclamações do BC: Bradesco lidera lista
Na amostra mais recente, as reclamações procedentes concentram-se em quatro categorias principais:
- Cobranças indevidas: lançamentos duplicados, tarifas não contratadas e valores incompatíveis com o uso real;
- Faturas e pagamentos não reconhecidos: divergências no fechamento do cartão ou pagamentos não registrados pelo sistema;
- Bloqueio de acesso a recursos: clientes impedidos de movimentar saldo disponível, inclusive em emergências;
- Falhas operacionais diversas: lentidão no aplicativo, erros de cadastro e dificuldades para concluir transferências.
Por que o índice proporcional importa
O modelo adotado pelo Banco Central calcula um índice que relaciona o total de reclamações procedentes ao número de clientes. Quanto maior esse indicador, pior a avaliação do banco em termos de atendimento ao consumidor. Esse critério ajuda correntistas a compararem instituições de portes distintos sob a mesma régua de qualidade de serviço.
Embora o Bradesco apresente a maior base de clientes entre os listados, sua posição no ranking demonstra que o volume de queixas confirmadas supera a média do setor. Banco Inter e C6 Bank, ambos com forte ênfase em canais digitais, também registraram índices elevados, sugerindo que a rápida expansão das operações não foi acompanhada por um suporte capaz de absorver a nova demanda.
FGC tem apenas 2,3 % do total garantido
O debate sobre o atendimento bancário ganha peso extra diante de outro dado divulgado no relatório: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dispõe hoje de apenas 2,3 % dos recursos necessários para cobrir integralmente as garantias ofertadas. Embora o FGC atue como mecanismo de proteção, especialistas lembram que sua natureza privada o torna sensível a choques sistêmicos, especialmente se um grande banco enfrentar dificuldades.
Por isso, gestores financeiros recomendam observar indicadores de solidez como o Índice de Basileia — que mede a relação entre capital próprio e crédito concedido — e a taxa de imobilização, que mostra quanto patrimônio está preso em ativos de baixa liquidez. No mesmo relatório, o Nubank exemplifica boas práticas ao exibir Basileia de 15,8 % e imobilização de 2,6 %, mantendo baixo índice de reclamações mesmo com milhões de clientes.
Imagem: Divulgação
Títulos do Tesouro Direto ganham força
A percepção de fragilidades no sistema bancário privado tem direcionado parte dos investidores para os títulos públicos federais, negociados via Tesouro Direto. Ao emprestar recursos ao Governo Federal, o investidor elimina o risco específico de uma instituição financeira e conta com a capacidade soberana do Estado de administrar sua dívida, considerada a forma mais robusta de proteção de capital disponível no país.
Antes de escolher onde manter o dinheiro, especialistas sugerem equilibrar rentabilidade, segurança e qualidade de atendimento. O novo ranking do Banco Central oferece um termômetro do serviço prestado e ajuda a identificar bancos que podem exigir atenção redobrada dos correntistas.
Para aprofundar a análise de indicadores econômicos e decisões de investimento, confira outras reportagens na seção de Economia do Diário de Finanças.
Em resumo, o levantamento do Banco Central reforça que observar índices de reclamação é tão essencial quanto comparar taxas e rendimentos. Avalie o atendimento, verifique a saúde financeira do banco e, sempre que possível, diversifique os recursos para reduzir riscos. Continue acompanhando o Diário de Finanças para receber atualizações sobre o mercado financeiro e dicas práticas para proteger seu patrimônio.



