Redução do balanço do Fed pode estar próxima do fim, segundo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Ao participar de um evento nesta segunda-feira (14), o dirigente afirmou que o banco central dos Estados Unidos monitora “uma ampla gama de indicadores” e poderá interromper o processo de quantitative tightening (QT) nos próximos meses.
O balanço patrimonial da autoridade monetária chegou ao pico de quase US$ 9 trilhões em meados de 2022. Desde então, o Fed permite que os títulos em carteira simplesmente vençam, sem reinvestir os recursos, reduzindo gradualmente o volume de ativos detidos e, consequentemente, o nível de reservas bancárias.
Redução do balanço do Fed pode acabar em breve, diz Powell
“Nosso plano, há muito tempo declarado, é encerrar o escoamento quando as reservas estiverem um pouco acima do nível que consideramos consistente com condições de liquidez amplas”, explicou Powell. “Podemos nos aproximar desse ponto nos próximos meses”, acrescentou, ressaltando que o Fed atua de forma cautelosa para não provocar tensões no mercado monetário.
Powell citou como sinal de aperto nas condições de liquidez a consolidação das taxas de recompra (repo) e pressões temporárias observadas em datas específicas, quadro que lembra, ainda que em menor escala, o estresse de setembro de 2019. Naquele episódio, a diminuição do balanço levou a um salto inesperado do custo de financiamento overnight, obrigando o banco central a retomar compras de títulos para estabilizar o sistema.
O presidente do Fed destacou que normalizar o balanço “não significa retornar ao patamar pré-pandemia”. Segundo ele, o tamanho de longo prazo será determinado pela demanda do público por passivos do Fed, e não pelas compras de ativos realizadas durante a crise sanitária. “A demanda por reservas também aumentou, refletindo o crescimento do sistema bancário e da economia em geral”, observou.
Powell admitiu que, analisando em retrospecto, o Fed poderia ter encerrado as aquisições de títulos mais cedo. “Sabíamos que poderíamos desfazer as compras com relativa rapidez assim que as encerrássemos, e foi exatamente o que fizemos”, declarou. Para o dirigente, a experiência adquirida desde 2020 possibilita agir com mais agilidade e comunicar as decisões de modo a ancorar melhor as expectativas do mercado.
Apesar da redução em curso, Powell defendeu o atual regime de “reservas amplas”, classificado por ele como “altamente eficaz” para garantir o controle das taxas de juros, manter a estabilidade financeira e sustentar um sistema de pagamentos resiliente. “Tem funcionado em uma ampla gama de condições econômicas desafiadoras”, resumiu.

Imagem: Divulgação
O processo de QT, iniciado em junho de 2022, atualmente permite o vencimento mensal de até US$ 60 bilhões em Treasuries e US$ 35 bilhões em títulos lastreados em hipotecas. Analistas observam que, caso o Fed confirme a aproximação do nível mínimo de reservas consideradas adequadas, a autoridade poderá reduzir esses limites ou mesmo interromper totalmente o escoamento, medida que, na prática, estabilizaria o balanço patrimonial.
O mercado agora acompanha atentamente os próximos comunicados oficiais para avaliar quando o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decidirá efetivamente frear o QT. Qualquer sinal mais claro deverá impactar as expectativas de liquidez global, os custos de financiamento e, por extensão, o comportamento dos ativos de risco.
Para acompanhar outras análises sobre o cenário econômico e as decisões do Federal Reserve, visite nossa seção de Economia.
Em síntese, Powell deixou claro que o fim da redução do balanço do Fed está no radar e pode ocorrer em breve, caso os indicadores confirmem que o nível de reservas já é suficiente. Continue acompanhando o Diário de Finanças para receber atualizações e entender como essas mudanças podem afetar seus investimentos.



